Dupla derrota. EUA matam n.º 2 do Estado Islâmico e sírios recuperam Palmira

Forças leais a Assad junto a um edifício em Palmira

Mustafa al-Qaduli era o responsável pelas finanças do grupo terrorista. Bélgica recebeu apoio de Kerry e confirmou que os seus caças F16 vão voltar a bombardear no Iraque

O secretário de Estado da Defesa norte-americano, Ash Carter, confirmou ontem a morte do número dois do Estado Islâmico e responsável pelas finanças do grupo, Hajji Iman, também conhecido como Abdul Rahman Mustafa al-Qaduli. Uma baixa importante para os jihadistas, que estão a perder também terreno para as forças do presidente Bachar al-Assad. O exército sírio recuperou ontem o controlo das ruínas de Palmira.

"A remoção deste líder do Estado Islâmico vai dificultar a sua capacidade de conduzirem operações dentro e fora do Iraque e da Síria",disse Carter, lembrando que os EUA estão "sistematicamente a eliminar a liderança" do grupo extremista. Inicialmente o plano seria apanhá-lo com vida, mas devido às dificuldades da operação na Síria foi tomada a decisão de bombardear o veículo em que seguia junto com outras três pessoas.

Mustafa al Qaduli

Nascido no final dos anos 1950 na cidade iraquiana de Mossul, Qaduli juntou-se à Al-Qaeda no Iraque (antecessora do Estado Islâmico) em 2004, servindo como número dois do líder Abu Musab al-Zarqawi (morto pelos EUA em 2006). Passou pelas prisões iraquianas, juntando-se ao Estado Islâmico na Síria quando foi libertado, em 2012. Quando o líder do grupo jihadista, Abu Bakr al-Baghdadi, ficou ferido num ataque aéreo, Qaduli terá assumido temporariamente o comando.

A morte do número dois é a segunda derrota para o Estado Islâmico no dia de ontem, depois da confirmação de que o exército do presidente Bachar al-Assad recuperou o controlo da cidadela de Palmira - nas mãos do Estado Islâmico desde maio de 2015. Parte das ruínas romanas da cidade milenar, consideradas património da UNESCO, foram dinamitadas pelos jihadistas. A recuperação da "pérola do deserto" é uma importante vitória para as forças de Assad, que foram apoiadas pela aviação russa.

Kerry apoia Bélgica

"Je suis Bruxellois; ik ben Brussels", repetiu em francês e flamengo o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que esteve ontem na capital belga para mostrar o apoio dos EUA após os atentados de Bruxelas e oferecer a ajuda de Washington na luta antiterrorista. Kerry confirmou que há dois cidadãos norte-americanos entre as 31 vítimas dos ataques de terça-feira em Bruxelas.

O secretário de Estado disse que os EUA vão "continuar a providenciar qualquer assistência necessária na investigação dos hediondos atos terroristas". O auxílio dos norte-americano passa pela presença na Bélgica, desde fevereiro, de uma equipa do FBI, especializada na luta contra os "combatentes estrangeiros".

Em relação às críticas de que houve falhas de segurança por parte das autoridades belgas, Kerry alertou para a tendência para tirar conclusões precipitadas. "É um pouco frenético e inapropriado. As pessoas estão a tirar conclusões antecipadas, estão à procura de factos que por vezes são difíceis de analisar no rescaldo dos acontecimentos", afirmou, lembrando contudo que "há espaço para melhorar a cooperação antiterrorista" entre os países europeus.

Ao seu lado na conferência de imprensa, o primeiro-ministro belga, Charles Michel, confirmou que os caças F16 belgas vão regressar no próximo verão à coligação internacional que está a bombardear alvos do Estado Islâmico no Iraque, não descartando a hipótese de alargar esses ataques aéreos também à Síria. "Vamos discutir no governo e no parlamento para determinar se uma extensão do mandato será possível ou não", indicou Michel, referindo-se a eventuais ataques aéreos também na Síria.

A Bélgica suspendeu em julho o envolvimento dos seus seis caças F16 nos ataques aéreos da coligação liderada pelos EUA. Num balanço em abril de 2015, dizia ter efetuado 5% dos bombardeamentos contra o Estado Islâmico no Iraque e destruído 107 alvos do grupo islamita.

Na sua passagem por Bruxelas, o secretário de Estado norte-americano visitou o aeroporto de Zaventem, palco dos ataques de terça-feira, prestando homenagem às vítimas e aos socorristas.

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