Brexit está longe de ser um facto consumado

May diz que restringir imigração é linha vermelha nas negociações com a UE. Politólogo diz ao DN que não acredita na saída
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Ontem foi a vez do ex-primeiro--ministro britânico Tony Blair vir a público dizer que o Reino Unido ainda poderá continuar a fazer parte da União Europeia. Apesar de a líder do governo, Theresa May, insistir que "brexit significa brexit" não é garantido que o divórcio venha a consumar-se.

Em declarações ao DN, Thom Brooks, catedrático de Direito na Universidade de Durham, sublinha que a frase que May repete a cada oportunidade "não passa de uma tautofonia que nada significa".

O mesmo especialista, que foi uma das vozes consultadas pela comissão eleitoral britânica para a elaboração da pergunta do referendo, está convicto de que a primeira-ministra não foi inocente nas escolhas que fez para o executivo. "Acredito que preparou bem o caminho para que os principais defensores do brexit, como Boris Johnson, se espalhem ao comprido. Ninguém que tenha votado pela saída pode queixar-se da sua falta de apoio, mas aqueles que a defenderam devem estar surpreendidos com a complexidade da tarefa que têm pela frente. Estou convencido de que o brexit não irá acontecer", defende Brooks.

O politólogo acredita que Theresa May irá avançar com um plano para a saída, mas que "as propostas acabarão por ficar aquém de um adeus total". Não se tratando propriamente de um novo referendo sobre o brexit, Thom Brooks acredita que esse plano de divórcio poderá ser submetido à aprovação dos britânicos e, eventualmente, rejeitado.

O catedrático está convencido de que os grandes defensores do adeus, durante as negociações com a União Europeia, não irão conseguir o que prometeram aos eleitores nos meses de campanha.

Na reunião do Conselho de Ministros, que teve lugar na quarta--feira, Theresa May acordou com os restantes membros do seu executivo que "restringir a imigração" será sempre a principal linha vermelha nas negociações com a União Europeia.

A porta-voz da primeira-ministra revelou aos jornalistas que entre os vários ministros existe a convicção de que o ato de invocar o artigo 50 - que oficializa o pedido de divórcio - pode ser feito sem passar pelo Parlamento.

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