Bia Doria. A mulher do prefeito que assustou os paulistanos

Primeira-dama de São Paulo, mulher do prefeito eleito e milionário João Doria, chocou numa entrevista em que se diz "do povo" e se compara a Evita Perón, por frequentar só bairros chiques e falar da dificuldade em encontrar boas arrumadeiras
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"Juramos não ter sido os responsáveis pela entrevista da Bia Doria", advertiu a redação do jornal humorístico brasileiro Sensacionalista na sua página do Facebook a propósito da reportagem com a mulher do prefeito eleito João Doria, publicada, na realidade, pelo seríssimo jornal Folha de S. Paulo. A conversa com Bia, artista plástica de profissão, causou ondas de choque, e também de divertimento, por causa de referências consideradas fúteis.

Bia revelou desconhecer alguns dos locais mais movimentados da cidade, como o Minhocão. "Para que serve o Minhocão, é um viaduto não é?", pergunta ao repórter. "Onde é o Parque Augusta? Imagine quem tem filhos no centro, vão passear onde, vou dizer ao João que lá tem de ser um parque", afirmou a propósito de um local que a maioria dos paulistanos pretende ver como público. "No Morumbi tem aquela favela, né? Paraisópolis. Mas eles respiram o mesmo ar, sentem o mesmo frio que nós, essa desigualdade tem de diminuir, não adianta ter uma funcionária no ateliê e ela ter problemas de nutrição", disse também.

Ainda sobre funcionários, Bia queixou-se da qualidade dos seus empregados - "ficaria feliz se chegasse uma arrumadeira já capaz de fazer as coisas, pouquíssimas delas sabem, a não ser as que já passaram por várias casas, mas aí elas vêm cheias de manias" -, que garante, porém, tratar muito bem. "Todos os meus funcionários moravam em barracos e não tinham dentes, consegui casa para todos eles, dei dentes para eles, dei um plano de saúde bom, hoje eles sentem-se felizes, até se sentem artistas porque são meus assistentes."

A propósito, a artista compara-se com Evita Perón: "Sempre me senti uma Evita Perón, porque eu sou mais do povo, eu sinto-me do povo, eu dou-me muito bem com pessoas mais humildes." "Me sinto bem numa favela e me sinto bem de salto alto num jantar chiquérrimo da sociedade com talher de prata, se me der uma enxada eu saio-me muito bem, se me der um salto alto eu saio-me muito bem." No plano político, confessou ter chorado de tristeza quando Lula da Silva tomou posse como presidente da República, disse admirar a "atitude" do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha de promover o impeachment de Dilma Rousseff e critica a classe a que pertence, a artística, por ser na sua maioria contrária ao presidente Michel Temer. "Estamos parados há dois anos, se o Temer sai, o país fica parado mais dois, esses artistas têm de ficar quietinhos e deixar o Temer trabalhar."

Após a entrevista, o site de Bia foi pirateado, com recortes de jornais com reportagens sobre supostas irregularidades do marido. A artista já fora notícia na revista Veja de novembro passado por ter recebido uma encomenda de 243 esculturas em granito, madeira e bronze de traseiros (bumbuns no Brasil) do investidor português Joe Berardo. "Um deles pesa 20 toneladas", disse ela na ocasião.

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