RTP1 tem nova imagem e Vhils ajudou a construí-la

No dia em que comemora 59 anos, a estação pública chega à antena com novos logótipo, separadores, oráculos e cenário. Objetivo: acabar com a "disparidade entre canais"

Aproximar a identidade do canal um à da RTP3 e mostrar que, aconteça o que acontecer, a estação pública está sempre ali. É este o espírito que se esconde por detrás da mudança gráfica que a RTP1 sofre hoje, dia em que celebra 59 anos em antena, e que chega ao ecrã embrulhada com uma nova assinatura: "RTP continua". Separadores de emissão, oráculos e logótipo mais "modernos", restyling dos principais blocos noticiosos - e mudança de cenário -, recuperação das vozes de continuidade - entre as quais Isabel Angelino - e um site mais "arranjado" constituem as grandes mudanças deste aniversário.

"Havia disparidade entre canais em termos de identidade gráfica. Mudar a da RTP1 era um desejo desta nova administração [liderada por Gonçalo Reis] e estava a ser pensada desde o verão do ano passado. Concretiza-se agora", explica Gonçalo Morais Leitão, consultor criativo da RTP.

Um dos motivos de orgulho são os novos separadores, pensados pela Solid Dogma, agência que no ano passado juntou Vhils, assinatura artística de Alexandre Farto, e Pedro Pires, designer especialista em branding. "A premissa foi utilizar obras dele e, a partir daí, criar uma leitura diferente do quotidiano que nos rodeia, mas sempre inserida no novo conceito da RTP: continua. O que se fez foi integrar o canal numa visão contemporânea através da obra do Vhils", refere Pedro Pires.

Já Morais Leitão justifica o novo conceito: "Com "continua", o que queremos dizer é que podem mudar-se os tempos e podem mudar-se as vontades, que a RTP vai estar sempre aqui, estável, apesar de todas as vicissitudes, de todas as alterações de sociedade e de todas as alterações de governo."

Este é um desejo realizado para Vhils e para a sua equipa, que teve "total liberdade criativa", até porque "de outra forma não faria sentido". "A única condicionante foi o tal conceito de "continua", porque é assim que a RTP1 se vai apresentar a partir de agora", refere Pedro Pires. E um desejo concretizado para Alexandre Farto, que aceitou o convite "sem pestanejar". "Ele sempre sonhou fazer, de alguma forma, um trabalho desta natureza para a RTP, que é algo que é nacional. O Vhils tem orgulho." "Foi um encontro de vontades. A arte do Vhils é muito identificativa", acrescenta Morais Leitão.

O realizador João Pedro Moreira, que foi desafiado pela Solid Dogma a estar atrás das câmaras durante as filmagens dos separadores - que se resumem a imagens de locais emblemáticos gravadas através de stencils do artista - acredita também que estes são uma "boa exposição" para o trabalho de Farto. "A obra dele é muito transversal e pode ser uma forma de chegar a outros públicos", justifica.

Os novos separadores que a partir de agora vão dividir os programas da estação - e que apesar de serem idealizados por Alexandre Farto são produzidos pela própria RTP - têm 12 segundos cada um e são, também eles, uma forma de a estação pública de televisão "dar visibilidade a agentes culturais". Vhils é apenas o primeiro artista a fazê-lo. "O objetivo é dar este espaço a outros agentes culturais da sociedade portuguesa. Temos alguns em vista já para o futuro, mas ainda nada está fechado. Posso adiantar que a mudança deverá acontecer umas duas ou três vezes por ano", avança o consultor da RTP, recordando que, até à data, "os separadores mudavam apenas com a alteração de grelha no verão e no inverno". "Dar a conhecer a arte de um artista também é serviço público. Tal como é serviço público aumentar a fasquia. Se os outros não o fazem, a RTP tem de o fazer", prossegue Gonçalo Morais Leitão.

A emissão desta segunda-feira vai ser, ainda assim, diferente. "Tudo começa com o Bom Dia Portugal [às 06.30]. A emissão ao longo do dia será acompanhada por uma viagem de carro, que começa com imagens gravadas com o nascer do Sol e termina de noite", adianta ainda o consultor.

Em horário nobre, as mudanças passam também pelo cenário do principal estúdio da Informação da RTP, a partir do qual é apresentado, sempre às 20.00, o Telejornal. "É um estúdio com um aspeto bastante mais limpo, muito mais atual e com uma iluminação melhorada", termina Gonçalo Morais Leitão.

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