'Diário Económico' encerra hoje a sua edição em papel

Edição impressa do jornal foi fundada em 1989

A administração decidiu continuar apenas com o 'site' e o canal de televisão. Ainda não foi anunciada a nova direção do projeto

Esta sexta-feira é o último dia em que o Diário Económico (DE) chega às bancas. A edição em papel da publicação foi extinta pela administração e é consequência da crise financeira que o jornal vive e que já tinha impedido que este fosse publicado a 11 de março, devido a uma greve convocada pelos trabalhadores.

Em causa estavam salários em atraso e a demora, por parte da empresa, em encontrar uma solução que viabilizasse a continuidade do projeto editorial. A decisão terá sido tomada devido "à falta de meios financeiros e humanos" para assegurar a continuidade da edição em papel.

O site e a ETV - canal de televisão do DE - continuam em atividade, "por enquanto", de acordo com informação avançada pela imprensa e confirmada, ao DN, por Raul Vaz, diretor demissionário do Diário Económico, que remeteu para a administração da empresa explicações sobre o futuro do projeto.

Segundo o DN apurou, os trabalhadores do Diário Económico foram informados do fim da edição em papel na mesma altura em que a imprensa veiculava a notícia. O "último esforço" - que prometeram fazer, após o fim da greve do dia 10 de março - não deu frutos. "Não baixamos os braços, mas está a ser difícil", disse, na altura, Hermínia Saraiva, representante da Comissão de Trabalhadores do Diário Económico.

"Continuamos sem receber o subsídio de Natal, e do mês de janeiro apenas recebemos uma tranche de quinhentos euros. Ainda não recebemos o salário de fevereiro", revelava a responsável, que é ainda coordenadora do site, um dos meios que continuará em atividade. Também na mesma altura, a jornalista garantia que os trabalhadores já não podiam "esperar muito mais" e fizeram um ultimato: até ao final deste mês a administração teria de apresentar uma solução viável.

Foi no final de fevereiro de 2016, que a administração do Diário Económico admitiu um cenário de insolvência da empresa num plano de continuidade do jornal e prometeu dar a conhecer aos trabalhadores as consequências deste cenário e do Processo Especial de Revitalização (PER). Em comunicado, a comissão instaladora da Comissão de Trabalhadores anunciava que tinha proposto ao administrador que apresentasse "os cenários de PER e insolvência e as implicações de cada um deles", com a administração a garantir que mantinha a intenção de pagar os ordenados de dezembro até 29 de fevereiro, data em que apresentaria o plano de pagamentos dos salários de janeiro. O que não chegou a acontecer: a 10 de março, o subsídio de Natal ainda não tinha sido pago aos 150 trabalhadores - 33 dos quais pertencem à redação e garantiam o jornal diário, o site e as emissões da ETV.

Também na mesma altura, a direção do DE comunicara à administração que não podia continuar a trabalhar com os constrangimentos que se faziam sentir. "Face à ausência de desenvolvimentos que possam resolver estes problemas e à degradação dos meios de funcionamento, a redação não tem condições para continuar a assegurar produtos com a qualidade a que os leitores e telespetadores do Económico estão habituados", lia-se, em comunicado enviado à administração da empresa da Ongoing, que detém o jornal e o canal de televisão Económico TV.

O objetivo desta medida, que deixou em choque os trabalhadores, é evitar a falência do projeto. O Diário Económico foi lançado, em formato impresso, em 1989, e é líder de vendas e de audiências no segmento de economia da imprensa diária.

Ao cenário catastrófico de dívidas ao fisco, à Segurança Social e a fornecedores, somam-se os salários e subsídios em atraso aos trabalhadores. Com dívidas acumuladas há alguns anos - dados de 2014 apontam para um défice de 29 milhões de euros - o DE viu as suas projeções de insolvência ganharem força na semana passada, quando a direção editorial anunciou a sua demissão, vendo-se incapaz, nos últimos dias, de nomear novos responsáveis, apesar de, segundo o DN apurou, ter sido procurada uma solução interna.

A direção demissionária sublinhou que asseguraria as funções "dentro de um prazo razoável" e que uma solução teria de ser encontrada o mais rapidamente possível.

A salvação para os projetos que prosseguem - site e ETV - passará sempre pela venda do DE e a procura de novos investidores decorre há meses, sem que nenhum tenha avançado com a compra. Está ainda a chegar ao fim o prazo que os trabalhadores deram - final de março - para que fosse encontrada uma solução, antes de avançarem com o pedido de suspensão dos contratos de trabalho.

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