Maradona foi de calças de veludo para a sua estreia há 40 anos

A 20 de novembro de 1976, El Pibe estreava-se na I Divisão pelo Argentinos Juniors. Seguiu-se uma carreira de sonho e declínio. Veja o vídeo

Há precisamente 40 anos, num dia de muito calor, Diego Armando Maradona, então com 15 anos, saiu de casa com as únicas calças que tinha, de veludo, e apanhou o comboio para a sede do Argentinos Juniors, o clube que representava. O treinador Juan Carlos Montes tinha-o avisado que estava convocado para o jogo com Talleres de Córdoba. Mas não sabia se ia jogar.

O Argentinos Juniors perdia por 1-0 ao intervalo. "Prepara-te miúdo, vais entrar", ordenou-lhe o treinador. "Ainda olhei para o lado e não vi mais nenhum miúdo. Era mesmo para mim que ele estava a falar. E assim foi, estreei-me. Apesar de termos perdido, jamais esquecerei esse jogo", contou ontem o ex-jogador ao jornal argentino Olé, numa entrevista a assinalar a sua estreia oficial na I Divisão, há 40 anos, em que entrou para o lugar de Rubén Giacobetti, então com o número 16 nas costas, e numa das suas primeiras intervenções passou a bola por baixo das pernas de um adversário.

Nascia naquele momento uma verdadeira lenda, para muitos considerado ainda hoje o melhor jogador do mundo. Seguiu-se o Boca Juniors (1981-82), o Barcelona (1982-84) e o Nápoles (1984-91), onde chegou de helicóptero ao Estádio San Paolo e se tornou um verdadeiro rei, contribuindo decisivamente para os dois títulos de campeão do clube napolitano e para a conquista da Taça UEFA.

Ao mesmo tempo brilhava na seleção argentina, onde em 1986 se sagrou campeão do Mundo, depois de um jogo memorável contra a Inglaterra (no pós-Guerra das Malvinas) nos quartos-de-final onde apontou o famoso golo com a mão de Deus e o do século, numa jogada de 10 segundos em que tirou todos os adversários da frente e ainda driblou o guarda-redes Peter Shilton. Maradona ainda hoje considera que este foi o jogo mais importante da sua vida, recordando também a final do Mundial de sub-20 em que a Argentina venceu o Japão, por 3-1, e sagrou-se campeã.

Ainda sobre o golo com a mão de Deus, a confissão só chegou anos mais tarde, em 2005, durante o seu programa de televisão La Noche del 10. "Quero contar a todos os argentinos e a todo o mundo. Nunca me arrependi de ter marcado aquele golo com a mão. Marquei um parecido pelo Nápoles à Udinense, na Liga italiana [...] o Shilton [guarda-redes de Inglaterra] por causa disso disse que não me convidava para a sua festa de despedida", contou El Pibe.

Declínio começou em Nápoles

Foi precisamente no seu último ano em Nápoles que começaram a surgir as polémicas extrafutebol. Em 1991, num controlo antidoping, acusou cocaína e foi suspenso 15 meses, ao mesmo tempo que eram noticiadas em Itália as suas ligações à máfia. Em 1994, em pleno Mundial dos EUA, foi novamente apanhado com doping - acusou efedrina, um estimulante proibido que melhora a condição física e foi suspenso 18 meses.

Ainda passou pelo Sevilha (1992-93), Newell"s Old Boys (1993--94) e regressou ao Boca Juniors para terminar a carreira (1995-97). Mas já sem o brilho de outros tempos. "Graças a Deus dei muitas alegrias às pessoas. Mas com a minha doença dei muita vantagem aos meus rivais. Sabe que jogador eu teria sido se não fossem as drogas, sabe? Um jogador do c...", reconheceu em 2014 numa entrevista emotiva à TyC Sports, da Argentina.

Uma das maiores mágoas de Maradona é não ter regressado ao Boca na plenitude das suas faculdades. "Às vezes penso na sorte que teve o Riquelme, em ter regressado ao Boca ainda como grande jogador. Imaginem o que era eu nos meus melhores tempos do Nápoles chegar à Bombonera cheio de força. Tínhamos ganho tudo", confessou em entrevista ao Olé, ele que continua a reclamar inocência num processo de fuga ao fisco em Itália num montante de 40 milhões de euros: "Eu não devo nada a ninguém e, apesar de ser inocente, sou tratado como um dos piores criminosos do mundo."

Nos últimos anos foi sobretudo notícia pelas declarações de teor político e pela guerra que abriu à FIFA e à UEFA - chegou a dizer que Blatter e Platini eram ladrões. Mas na Argentina e em Nápoles continuam a considerá-lo El Dios.

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