Jogam futebol, têm sucesso e sentem que hoje são mais respeitadas

Diana Gomes, Patrícia Morais e Matilde Fidalgo, nesta semana, durante o estágio para a Algarve Cup

Futebol no feminino. Fizeram história ao conseguir o apuramento para o Europeu. Muitas são profissionais, outras trabalham e estudam

São quase todas profissionais, muitas atuam em grandes clubes no estrangeiro e já fizeram história, ao apurarem a seleção feminina de futebol pela primeira vez para um Europeu da modalidade, um marco que pode ter contribuído para que as pessoas olhem para elas de outra maneira.

"A nossa afirmação? Sim, foi uma batalha, mas faz parte do processo, porque o crescimento não acontece de um dia para o outro. O futebol feminino é uma realidade diferente, não podemos aspirar, para já, a atingir o nível do masculino, embora haja países em que isso é uma realidade, como nos Estados Unidos. Nós temos vindo a crescer e daqui a uns anos talvez a comparação seja outra", diz Matilde Fidalgo, 22 anos, capitã do Futebol Benfica, que está a poucos meses de tirar o mestrado em Engenharia de Energia e do Ambiente.

As nossas atletas não se sentem discriminadas por jogarem à bola. "Nunca senti isso. Comecei a jogar com os meus irmãos, que me incentivaram, depois com amigos. Era a menina da equipa, mas nada de depreciativo. É verdade que cheguei a ouvir nos primeiros tempos um "vai para casa", mas hoje é raro isso acontecer. E também há insultos no futebol masculino", sublinha Matilde, enquanto Patrícia Morais, guarda-redes de 24 anos do Sporting, diz que "cada vez se fala mais no futebol feminino". "É um sinal de crescimento, que nos deixa a todas orgulhosas", diz ao DN. Carole Costa, Dolores Silva, Laura Luís e Ana Leite jogam na Alemanha, Mónica Mendes na Suíça, Raquel Infante em Espanha, Carolina Mendes na Islândia, Amanda da Costa nos EUA, Suzane Pires no Brasil e Cláudia Neto, a capitã que há uma semana atingiu a 100.ª internacionalização, na Suécia. Por cá também há atletas que fazem exclusivamente do futebol o seu modo de vida, como Patrícia Morais e Ana Borges, agora no Sporting, depois de terem jogado em França e em Inglaterra.

"Estive dois anos em França como profissional e voltei porque recebi uma proposta do Sporting. O projeto entusiasmou-me e aceitei. Mais vantajoso? São situações diferentes, jogar lá fora tem outras vantagens, mas em Portugal estamos a crescer e no bom caminho", explica a guarda-redes Patrícia.

Num mundo cada vez mais profissional, sobretudo se tivermos em conta a realidade das jogadoras chamadas para a Algarve Cup - que será a base para o Europeu -, também existem exceções. Matilde Fidalgo está a poucos meses de completar o mestrado em Engenharia de Energia e do Ambiente, Jamila Martins trabalha num restaurante e Patrícia Gouveia num banco. As duas últimas não integraram a convocatória para a prova no Algarve, que hoje termina, mas são ambas internacionais. Patrícia está grávida de 24 semanas, vai ter uma menina, mas já disse que pretende voltar ao futebol.

Em comum têm a paixão pelo futebol e o sonho de fazer carreira. Diana Gomes, a benjamim - tem 18 anos, atua no Valadares e estreou-se agora na seleção principal -, não consegue evitar um brilho nos olhos quando fala do tema: "Se quero ser profissional? Claro. Dou um passo de cada vez, mas, seja cá ou lá fora, não penso noutra coisa. Sou muito novinha, mas este sonho é permanente", garante, confessando que o curso de Eletrónica pode esperar. "Jogo futebol desde os 8 anos. Os meus irmãos levavam a bola e eu não ia ficar em casa a brincar com as bonecas."

Patrícia Morais também coloca o futebol em primeiro lugar e já pensa daqui a uns anos ser treinadora de guarda-redes, embora pisque o olho, de quando em vez, aos estudos de Marketing entretanto interrompidos. Diferente é a posição da engenheira Matilde Fidalgo, que, mesmo sem descurar seguir a via profissional no futebol, coloca os estudos em primeiro lugar.

"É importante ter uma formação, algo que nos permita no futuro dispor de bases para abraçar outra área e ter um emprego. Mesmo entre as profissionais, poucas conseguem viver o resto da vida com o que arrecadaram no futebol. A carreira de um atleta acaba precocemente", alerta, ainda sem receio dos problemas no mercado de trabalho. "É difícil, claro, mas para toda a gente, porque no nosso país não está fácil para ninguém", disse, frisando que nunca sentiu dificuldades em conciliar o futebol e os estudos.

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