Dieter Kurrat: "Agora não têm um Eusébio, a missão é mais fácil"

Entrevista a Dieter Kurrat, antigo jogador do Borussia Dortmund e atual dirigente do clube alemão, que vai enfrentar o Benfica nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
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Em 1964 fez parte da equipa do Dortmund que afastou o Benfica da Taça dos Campeões Europeus e agora faz parte da direção do emblema alemão. Considerado um dos melhores jogadores da história do clube germânico, recorda o duelo com Eusébio e acredita na passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Salienta, no entanto, que o Benfica também tem valor para seguir em frente.

O Borussia Dortmund reencontra hoje o Benfica nas competições europeias 53 anos depois. Ainda se recorda desse mítico confronto nos anos 60?

Muito bem. Defrontávamos o Benfica do grande Eusébio, tinham sido a melhor equipa da Europa nos últimos anos e para nós era um jogo especial. Felizmente correu muito bem e conseguimos seguir em frente, embora depois o Inter de Milão, outra equipa poderosa, nos tenha afastado nas meias-finais. Foi uma pena, mas recordo bem esse jogo com o Benfica.

Perderam o primeiro jogo no Estádio da Luz, por 2-1, mas depois golearam a equipa portuguesa por 5-0 na Alemanha...

Sim, foi um jogo que nos correu muito bem. Penso que marcámos três ou quatro golos num curto espaço de tempo e isso ajudou-nos muito. E também foi tudo mais fácil porque o Eusébio não jogou na Alemanha. Fizemos uma boa partida em Lisboa, mas em casa fomos bem superiores. Os portugueses também souberam perder, apesar do resultado. E já em Lisboa fizeram o mesmo. Aliás, recordo-me de o Eusébio me dizer que tinha sido um dos adversários mais complicados da sua carreira, nesse encontro fiquei a marcá-lo individualmente. Que jogador! Era fabuloso.

E o que espera agora para este reencontro de hoje entre o Dortmund e o Benfica?

Tal como nessa altura, acredito que será muito difícil para o Dortmund. Eu confio que vão passar a eliminatória, mas têm de jogar muito melhor do que têm feito. O Benfica é a melhor equipa portuguesa da atualidade e tem provado isso mesmo em Portugal e pela Europa nos últimos anos. No ano passado, o Bayern Munique teve de sofrer muito para eliminá-los. Aliás, no primeiro jogo, na Alemanha, o Bayern teve muita sorte em vencer. O Benfica merecia ter sido mais feliz.

Deste Benfica destaca alguém em especial?

Vejo sobretudo os jogos das competições europeias e no ano passado gostei muito do avançado brasileiro [Jonas]. Tem muita classe. Mas o Benfica tem outros grandes talentos, muito jovens, tem uma equipa muito boa, que vai causar muitos problemas ao Dortmund. Agora não têm um Eusébio e isso também torna a nossa missão mais fácil, mas é preciso ter muito cuidado.

Muito se tem falado do mau momento do Borussia Dortmund. O Benfica pode aproveitar isso?

Estes são jogos sempre diferentes, a eliminar, e uma equipa que está mal pode surpreender, mas o contrário também pode acontecer. Eu acredito que o Dortmund seja apurado, mas o Benfica também tem muita qualidade e pode ganhar.

Raphaël Guerreiro, internacional português, foi uma das contratações do Dortmund para esta temporada. As suas exibições têm sido muito elogiadas. Também tem gostado das atuações do defesa português?

Claro. Só o conheci bem durante o Campeonato da Europa, pois já sabíamos que podia vir, mas fiquei bastante surpreendido. É um jovem com grande talento e tem a vantagem de fazer várias posições. Gosto muito mais dele a meio-campo, onde eu também jogava. Gosta de levar a bola para a frente e tem uma capacidade incrível para ler o jogo e fazer assistências. É uma das boas surpresas nesta temporada, foi uma grande contratação.

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