Uma troca de olhares com o passado

A TOCA DO LOBO Catarina Mourão

Quem foi Tomaz de Figueiredo (1902-1970)? A pergunta conduz o filme de Catarina Mourão, finalmente em estreia comercial, mas também convoca a memória pública da figura. O escritor que dá nome à biblioteca de Arcos de Valdevez é avô da realizadora, mas um desconhecido para ela, fora das lombadas dos livros. Pelo menos, até à feitura do documentário, que lança uma viagem íntima sob o título de um desses livros.

Neste A Toca do Lobo, entre documentos, registos diversos e álbuns de fotografias que organizam o passado mudo, complementados por depoimentos, nomeadamente da sua mãe (a filha de Tomaz de Figueiredo), Catarina Mourão é detetive sem gabardine.

E o mais fascinante é o modo como se seguem as pistas, que tanto remetem para a especificidade histórica e política do país, como para os detalhes da psicanálise familiar. Um dos momentos mais belos do filme dá-nos Tomaz de Figueiredo, em imagens de arquivo de um programa da RTP, a mostrar uma coleção de saquinhos de cachimbo que gostaria de dar às futuras netas. Olha diretamente para a câmara, premonitório, e nomeia uma delas: Catarina.

Classificação: ***

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