Milhões, o festival que é uma festa entre público e artistas

O Milhões de Festa volta amanhã e até domingo leva música a Barcelos. Conheça algumas escolhas do diretor do festival
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Barcelos volta amanhã a ser palco do ecletismo hipster de que, há seis anos, se compõe o Milhões de Festa. Márcio Laranjeira, o diretor, a par de Joaquim Durães, diz que nesta edição o Milhões de Festa será "menos festival e mais festa, tendo em conta o nome do festival e o que gerou." Tal significa que público e artistas estarão mais próximos na festa pela qual passarão na sexta-feira os suecos Goat , com as máscaras inspiradas pelo vudu do norte de Korpilombolo, uma aldeia na Suécia, ou, no domingo, o performer americano Dan Deacon, com o seu aparato eletrónico e os seus samples.

O recinto minhoto - que tem como cartão de visita a piscina de que, normalmente durante o festival, vão chegando fotografias a quem lá não está - será modificado para "torná-lo mais próximo das pessoas, para que não exista uma separação tão grande entre o artista e o público, e acabar com as barreiras entre esses dois grupos; para tornar as zonas dos artistas mais acessíveis ao público e fazer com que eles tenham vontade de estar mais tempo com o público em vez de estarem fechados no backstage seis horas enquanto esperam por tocar", explica o diretor.

Quanto à programação do festival que decorre até domingo, Márcio define-a como uns "quase Jogos sem Fronteiras": dos subúrbios de Lisboa, com o kuduro e a techno de Nidia Minaj, no domingo, ao neopsicadelismo do texano Sun Araw, que atua no sábado e tem estado em residência artística no GNRation, em Braga. Hoje, fará lá um ensaio aberto às 22.00, com entrada gratuita para quem tem o passe do Milhões de Festa.

Além dos mais consagrados, o diretor do festival - ele mesmo minhoto - recorda que há uma "panóplia de artistas que cabem muito naquele "efeito Milhões" de que as bandas falam, aquelas bandas menos conhecidas que depois acabam por surpreender as pessoas." Nessa categoria, Márcio recomenda o duo de hip hop Ho99o9 - "uma banda incrível, um dos melhores concertos que vi nos últimos tempos" -, no domingo, assim como Domenique Dumont, no sábado, cuja identidade não é conhecida e que cruza a eletrónica e a pop, e os espanhóis Extrapelo, no domingo.

Mesmo quem não comprou ou não tenha ponderado comprar o passe para os três dias, que custa 60 euros, ou o diário, que custa 20 euros, está convidado a visitar o recinto "sem compromisso" e com entrada livre, recorda o diretor do Milhões de Festa, festival que diz não ser "de uma tribo só". Com um aumento significativo de visitantes ingleses e espanhóis, Laranjeira comenta que "o ecletismo" do público "mantém-se, pela programação, achamos que é muito difícil que não aconteça".

Revelando que o americano Dan Deacon é um dos artistas que modificará o seu espetáculo a partir do mote que foi dado pela organização, o diretor afirma que o músico "vai reinventar um pouco o espetáculo", e que este, tal como lhe foi pedido tendo em vista a aproximação ao público, o fará "mais como se estivessem a atuar num clube, e não num festival." "Para nós é mesmo importante que, quando estás a ver alguém em cima de um palco ele te diga alguma coisa, que não tenha sido igual a estar a olhar para uma televisão", remata Laranjeira.

A par dos dois palcos principais, haverá ainda o já habitual palco Taina que este ano se muda para dentro do recinto e à moda minhota, junta música com gastronomia e algum vinho verde, assim como as Arruadas Merrell, que levam os festivaleiros às cegas pela cidade, atrás dos concertos de Filho da Mãe, OTROTORTO e Ich Bin N!ntendo, ainda com localização secreta. O campismo é gratuito e a festa está quase a chegar aos quatro palcos e uma piscina deste Milhões de Festa.

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