Literatura lusófona debatida em Cabo Verde

João de Melo é um dos participantes no encontro

O VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa vai reunir autores da língua portuguesa

Até quinta-feira, o VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa tem lugar na cidade da Praia. A cada dia há novas personagens - escritores - para escutar. Nomes como João de Melo ou Arménio Vieira, prémio Camões 2009.

É na diáspora, insularidade e poesia que se centra o VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que hoje começa em Cabo Verde. Organizado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em parceria com a câmara municipal da capital cabo-verdiana, o encontro junta escritores de todo o mundo lusófono.

Entre os participantes estão escritores como Ana Paula Tavares e José Luís Mendonça (Angola), a são-tomense Goretti Pina, o timorense Luís Cardoso, o brasileiro João Paulo Cuenca, de quem foi publicado em Portugal no final de 2015, Descobri Que Estava Morto. De Cabo Verde, por motivos óbvios a presença forte de escritores como Ondina Ferreira, Abraão Vicente, Germano Almeida, Vera Duarte e João Lopes Filho. A estes novos, que não tardam em fazer-se reconhecer, juntam-se jovens escritores cabo-verdianos, a quem será dedicado um painel amanhã.

Organizado em três painéis, o encontro conta com escritores portugueses que por eles se distribuem entre amanhã e quarta-feira. O escritor e ensaísta Miguel Real participa no debate em torno de "A Literatura e a Diáspora". O açoriano João de Melo, que recentemente se declarou "feliz, sem lágrimas" - uma referência à sua obra Gente Feliz com Lágrimas (1988) - ao receber o Prémio Literário Vergílio Ferreira, junta-se ao painel "A Literatura e a Insularidade". Na quarta-feira, último dia de debates José Fanha, José Luís Peixoto e Zeca Medeiros estão entre os escritores lusófonos que debaterão "A Poesia e a Música".

A abertura do certame contará com a intervenção do chefe de Estado de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Além do Presidente, também o poeta estará presente. Fonseca participará, com Ondina Ferreira, numa homenagem a Arménio Vieira, em que o próprio poeta e escritor, Prémio Camões de 2009, estará presente. "Arménio Vieira o cultor da língua de Camões" decorre na quarta-feira.

Também o escritor cabo-verdiano Germano Almeida prestará amanhã de manhã homenagem ao seu conterrâneo e colega Corsino Fortes, que morreu em 2015. Foi o primeiro embaixador cabo-verdiano em Portugal (onde cursou Direito), logo em 1975. Contam-se, entre as suas obras mais importantes, Pão & Fonema (1974) ou Pedras de Sol & Substância (2001).

Aquando do encerramento dos debates, na quarta-feira, marcará presença o ministro cabo-verdiano da Cultura, Mário Lúcio Sousa, que Vítor Ramalho, na apresentação da programação do VI Encontro disse ser "uma pessoa que marca Cabo Verde pela sua singularidade".

Foi igualmente anunciado o Prémio Literário UCCLA, Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, que, na última semana, data da conferência de imprensa, contava já mais de 130 participações de jovens escritores de "Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde ou pessoas que residem no Canadá e em Espanha". O concurso recebe trabalhos até 31 de março e é uma parceria com a editora A Bela e o Monstro. Entre os membros do júri contam-se Germano de Almeida ou Isabel Pires de Lima.

À margem dos debates, decorrem atividades paralelas: a inauguração da exposição itinerante Casa dos Estudantes do Império - 1944/1965; Farol da Liberdade e uma visita ao antigo campo de concentração do Tarrafal.

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