Viagem a Marrocos à descoberta de Fez e Meknès

Há vinho, mercados, mesquitas, universidades, curtumes, cafés e a eterna sensação de que Marrocos e Portugal não são assim tão diferentes. Texto de Ana Tomás Fotografias de Paulo Spranger/GI Vinho do Sul In vino veritas. O adágio romano que diz que no vinho se encontra a verdade encaixa numa das mais recentes atrações turísticas de Marrocos, que é ao mesmo tempo uma recuperação da história do país: a produção de vinho. É na região do Médio Atlas, no Norte interior de Marrocos e a poucos quilómetros da cidade de Meknès, que encontramos um dos destacados, e raros, exemplos dessa herança, […]

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?