Lynk & Co 01: não se vende, subscreve-se

A marca do grupo Geely, a que pertence a Volvo, vai chegar a Portugal em 2023, mas não quer vender carros. A Lynk & Co propõe a subscrição mensal, ao estilo Spotify, para captar clientes mais jovens. Fui a Gotemburgo testar o SUV 01, para ver do que se trata.

Se ainda não ouviu falar da marca de automóveis Lynk & Co, não se admire. 96% dos europeus não sabem do que se trata e se ouvirem o nome talvez o relacionem com a indústria da cosmética. A marca do grupo Geely, o mesmo que detém a Volvo, estreou-se em 2016 no mercado chinês, onde o SUV 01 é fabricado. Na China, a gama da marca já vai com seis modelos, entre SUV e berlinas e o negócio é convencional. A chegada à Europa está a começar agora, numa primeira fase em sete países do Norte e numa segunda fase, a partir de 2023, nos do Sul onde se vai incluir Portugal.

Não vai haver concessionários, a venda será direta via Internet. Sem descontos e apenas com um modelo, o SUV 01 na motorização híbrida "plug-in". Só há um nível de equipamento, o mais alto e duas cores à escolha: azul escuro ou preto. O prazo de entrega fica assim reduzido a dois ou três dias.

Em vez da venda, a Lynk & Co promove a subscrição do 01, por um valor fixo mensal de 500 euros, tudo incluído menos a gasolina e a eletricidade. E ainda há mais. Através de uma App, o subscritor pode subalugar o seu 01 a outros membros inscritos na App. O preço é livre mas, em Gotemburgo, a App mostrava valores a rondar os 20 euros por hora. O CEO da marca, Alain Visser, disse-me que já há subscritores a ganhar dinheiro com o negócio. Se o cliente quiser mesmo comprar o 01, pode fazê-lo. Para Portugal ainda não há preços mas em Espanha custa 40 500 euros. Dos 31.000 membros europeus que já se inscreveram, apenas 5% mostrou interesse na compra.

Tive a oportunidade de guiar o 01 nas ruas de Gotemburgo, em autoestrada e estradas secundárias. A partida foi de um dos sete "clubes" que a marca tem na Europa, lojas nos centros das cidades onde se pode apreciar o 01, comprar produtos de parceiros e até beber alguma coisa num pequeno café. É o único ponto de contacto físico entre a marca e os clientes, pois a Lynk & Co entrega e recolhe o carro em casa do cliente, seja na subscrição, seja para ir fazer a manutenção às oficinas Volvo.

Cumpre bem o seu papel

A plataforma do 01 é a mesma do Volvo XC40, aqui na versão híbrida "plug-in" com um motor a gasolina 1.5 turbo e um motor elétrico, totalizando 261 cv. A bateria, montada no túnel central, tem 14,1 kWh de capacidade anunciando-se 69 km de autonomia. O 01 é um SUV premium, ao nível dos Volvo, por isso o habitáculo tem um ambiente e materiais de boa qualidade. A posição de condução é mais alta que a média, típica dos SUV da Volvo. Comecei no modo elétrico "pure", com uma resposta ao acelerador rápida e suave. A suspensão é confortável, mesmo com jantes de 20". A regeneração tem dois níveis e aplica bastante retenção, mas o pedal de travão não é progressivo.

Depois, segui para a autoestrada e antes de passar ao modo "hybrid" já tinha feito 35 km com 50% da bateria, confirmando a autonomia anunciada. Com o motor a gasolina a funcionar, o seu ruído está bem isolado e a caixa automática é suave e rápida o suficiente. A sensação de estabilidade é muito boa. Quando precisei de acelerar um pouco mais, o gráfico de fluxo de energia mostrou o contributo da parte elétrica. Há modos "save" e "charge" para guardar a energia e usar mais tarde ou fazer carregamento em andamento. O ecrã tátil central de 12,7" é fácil de usar e está conectado, recebendo atualizações "over the air" e também jogos, livros audio e não só. Há ainda duas "câmaras de viagem", uma para fora e outra para dentro, para partilhar imagens nas redes sociais.

Nas estradas secundárias, passei ao modo "power" e aumentei o ritmo da condução, mas os 261 cv não impressionaram muito, talvez porque o peso total ascende aos 2.350 kg. Nesta utilização, a direção não é muito direta, nem muito precisa e a caixa automática não é muito obediente, comandada manualmente. Mas o comportamento é seguro e tranquilo, com os movimentos da carroçaria bem controlados, mesmo quando se exagera. A tração apenas às rodas da frente cumpre o que dela se espera. Não há aqui nada de desportivo, mas também não era isso que se pretendia. Como SUV equiparável a um Volvo XC40, o 01 cumpre bem o seu papel. A maior interrogação está no modelo de negócio em países como o nosso, onde a compra de um carro ainda é um momento alto na vida de muitos automobilistas.

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