Linkflow. Estas câmaras 360 º usam-se ao pescoço
Linkflow. Estas câmaras 360 º usam-se ao pescoço

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Linkflow. Estas câmaras 360 º usam-se ao pescoço

Concebidas por um ex-engenheiro da Samsung, as inovações da startup Linkflow captam tudo o que se passa à volta do utilizador em 4K.

A ideia de gravar e mostrar como é o mundo visto na primeira pessoa de desportistas e aventureiros ditou o sucesso das câmaras GoPro e concorrentes durante a última década. Foi também uma das ideias por detrás dos Google Glass, que na primeira iteração, em 2012, ambicionavam exibir a vida vista pelos olhos do utilizador.

É nesta base que pega a startup Linkflow, mas com uma execução inovadora e muito menos intrusiva. As suas câmaras usam-se ao pescoço, como um par de auscultadores em repouso ou um colar aberto, e gravam absolutamente tudo o que se passa ao redor, os 360º da vida tal como a experimentamos diariamente. O resultado é um registo imersivo e pronto para o consumo, por exemplo, em realidade virtual.

Depois de alguns contratempos, com aparentes dificuldades na produção e envio, a inovação começou finalmente a chegar às mãos dos consumidores

Há já alguns anos que a Linkflow, uma startup que teve origem na Samsung, trabalha no conceito. A câmara para consumo, FITT360, foi financiada através das plataformas KickStarter e Indiegogo e depois de alguns contratempos, com aparentes dificuldades na produção e envio, a inovação começou finalmente a chegar às mãos dos consumidores que acreditaram na ideia. A FITT360 foi também disponibilizada em lojas especializadas em eletrónica inovadora, como a b8ta e Touch of Modern nos Estados Unidos, e os criadores descrevem-na como "a primeira câmara 360 º vestível do tipo colar para o pescoço".

O dispositivo, na verdade, tem três câmaras, que captam imagens continuamente em 4K e as fundem de forma automática num formato 360º. É um wearable com uma capacidade de armazenamento de 192 GB que se liga a uma aplicação móvel, suportando, por exemplo, transmissão ao vivo das imagens que estão a ser captadas. O software que "costura" as imagens permite calibrar a qualidade do produto final e remover problemas relativos à instabilidade de movimentos, já que o utilizador estará a mover-se normalmente e a provocar tremor na transmissão. Quando o utilizador não está a gravar, o gadget pode ser usado como um par de auscultadores Bluetooth para ouvir música e fazer chamadas telefónicas.

A ideia por detrás da FITT360 foi de Kim Yong-kuk, um ex-engenheiro da Samsung que passou a lua-de-mel no Havai e percebeu que não tinha forma de captar toda a beleza da paisagem que o rodeava. O plano rapidamente assumiu a intenção de resolver o problema das câmaras deste tipo: ângulos mortos, obstrução por alguma parte do corpo ou necessidade de utilização de acessórios para montar a câmara no corpo, por exemplo na cabeça ou no peito.

Além da FITT360, a Linkflow também desenvolveu a NEXX360, virada para o mercado profissional. É uma solução de videovigilância em circuito fechado que se usa igualmente ao pescoço e permite monitorizar ambientes sem ângulos mortos, um problema recorrente nos sistemas de vigilância. Ambas suportam LTE e 5G, o que deverá ser um bónus na sua expansão internacional, e os preços rondam os 500 euros.

Para o futuro, segundo Kim Yong-kuk, a Linkflow pretende desenvolver uma solução semelhante desenhada para proteger crianças. Numa entrevista ao The Korea Herald, o CEO da empresa disse que existe interesse e procura por parte de pais em vários países asiáticos, como Coreia e Japão, para uma solução cómoda e não invasiva que proteja os filhos em situações desconfortáveis, como assédio.

Yong-kuk disse ainda que queria tornar a Linkflow "no primeiro unicórnio de hardware", referindo-se à designação dada às empresas que atingem uma avaliação superior a mil milhões de dólares no mercado privado. "Incorporar a tecnologia 5G e processar imagens instantaneamente para produzir uma imagem de 360º é a força que nos diferencia dos concorrentes estrangeiros."

Mercado de câmaras 360º em crescimento

De acordo com os dados da Market Research Future, o mercado global de câmaras 360 º deverá crescer 25% ao ano até 2026, atingindo um valor de 2,99 mil milhões de dólares (2,47 mil milhões de euros). Um dos elementos que está a impulsionar o mercado é precisamente o crescimento das transmissões ao vivo nas redes sociais, mas o relatório destaca a expansão de sistemas de realidade virtual e aumentada como um fator decisivo. Não apenas para videojogos, mas também para anúncios, filmes em realidade virtual e atividades de aventura e desporto.

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