Defender plug-in ou como poupar 20 mil euros e ter uma boa experiência

Para quem esperava pelo plug-in do Defender, a Land Rover lançou finalmente o P400e. Já o testei em estrada e no todo-o-terreno para descobrir o que se ganha e o que se poupa com a versão híbrida a gasolina.

As menores emissões de CO2 anunciadas pelos híbridos plug-in diminuem-lhes os impostos e o preço final. Mais do que a tecnologia ou a ecologia, é mesmo o preço final que impulsiona as vendas. O Land Rover Defender não é exceção e quem queria comprar um, o mais provável é que estivesse à espera do PHEV, ou seja, do híbrido plug-in. Pois ele aqui está!

O sistema híbrido plug-in usa o motor 2.0 turbo a gasolina de quatro cilindros e 300 cv do grupo Jaguar Land Rover e adiciona um motor elétrico de 143 cv. A potência total combinada é de 404 cv e o binário atinge os 640 Nm. Mais importante, para quem dá valor à condução fora de estrada, é que a transmissão continua a mesma das outras versões, portanto, com tração mecânica às quatro rodas, pois o motor elétrico está na caixa de velocidades.

A bateria de iões de lítio de 19,2 kWh de capacidade está sob o piso da mala, criando um ressalto que diminui o volume de 743 para uns mais que suficientes 670 litros. Os ângulos TT permanecem os mesmos, mas, face ao P400 a gasolina, o peso total do P400e subiu 239 kg para as 2,6 toneladas. Ainda assim, o motor elétrico é capaz de mover o Defender sozinho durante 43 km até aos 137 km/h. A bateria pode ser ligada a um carregador rápido de 50 kW DC, precisando de 30 minutos para atingir os 80%. Num ponto AC de 7 kW, demora 2.20 horas para fazer o mesmo.

A posição de condução é muito alta e exige algum esforço para lá chegar, mas dá uma excelente visibilidade sobre o trânsito. É claro que os 4,8 metros de comprimento obrigam a alguns "cálculos" quando se circula em cidade, mas a largura de 1,9 m acaba por ser o mais complicado de gerir. A boa utilização dos enormes espelhos exteriores é fundamental. Na cidade, o acelerador mostrou-se demasiado sensível, o pedal de travão pouco progressivo e a regeneração faz pouca retenção nas desacelerações. Mas a direção está bem assistida e o duo suspensão pneumática/pneus fazem um bom trabalho em favor do conforto.

No modo 100% elétrico, a bateria esgotou-se ao fim de 43 km, passando a seguir ao modo híbrido. Também há um modo "save" para guardar a energia na bateria e usar mais tarde, mas não há um modo para a carregar em andamento.

Com a bateria descarregada, o P400e continua a ser um híbrido, claro, mas passa a gastar 11,7 l/100km em cidade, melhor que os 14,9 l/100 km, que gasta o P400 não-híbrido. Em autoestrada, ainda com a bateria descarregada, gastou 12,1 l/100 km, um pouco acima dos 11,3 l/100 km que tinha gasto o P400, mostrando que o sistema híbrido é menos eficiente neste tipo de utilização. Mas as prestações não se alteram e o P400e continua a fazer a aceleração 0-100 km/h em 5,6 segundos, o que, num SUV deste tamanho, impressiona.

Nem era preciso ser tão rápido, pois a suspensão não está afinada para guiar muito depressa em estradas secundárias, deixando o Defender inclinar-se consideravelmente em curva, levando a que o ESC entre em ação com frequência. O melhor é acalmar o ritmo de condução e procurar uma estrada de terra.

Guiar um Defender em todo-o-terreno é sempre uma experiência fascinante, pelas incríveis capacidades que tem de ultrapassar os obstáculos mais difíceis. Mas fazer isso apenas com o motor elétrico a funcionar é ainda melhor: total silêncio, rodas a receber apenas a força que precisam a cada momento e uma sensação de precisão e controlo excelentes. Tanto mais que o Defender tem modos de condução fora de estrada para todo o tipo de pisos e nem lhe faltam as redutoras, para situações mais difíceis.

Este P400e plug-in tem o nível de equipamento X-Dynamic e custa, sem mais opcionais, 93 226 euros. Um P400, com o mesmo equipamento, custa 114 866 euros. Mesmo a este nível de valores, uma diferença de 21 640 euros parece-me que torna o P400e a escolha óbvia, até porque também é mais barato que o D200 Diesel (112 292 euros).

Francisco Mota/Blogue Targa 67
https://targa67.motor24.pt

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