Cena gastronómica mundial "nunca foi tão interessante"

Abordagens mais sustentáveis, maior foco no produto, menus mais concisos para reduzir o desperdício alimentar, maior concentração também na sazonalidade, são práticas que o diretor internacional do Guia Michelin entende que estão a tornar o panorama internacional mais interessante.

O diretor internacional do Guia Michelin defendeu à Lusa que o panorama gastronómico mundial "nunca foi tão interessante" e afirmou que a pandemia de covid-19 veio acelerar as transformações no setor.

"Do ponto de vista dos inspetores do Guia Michelin, a cena culinária mundial nunca foi tão interessante. A covid foi bastante difícil, mas foi de certa forma um fator de aceleração para transformar as práticas", referiu Gwendall Poullennec, numa entrevista à Lusa à margem da gala de apresentação da edição de 2023 do guia de Espanha e Portugal.

Abordagens mais sustentáveis, maior foco no produto, menus mais concisos para reduzir o desperdício alimentar, maior concentração também na sazonalidade, exemplificou.

"Portanto, menos, mas mais qualidade", resumiu o diretor do Guia Michelin, considerado uma referência mundial na classificação de restaurantes.

"A primeira onda de covid teve um impacto real. Mas, depois de conhecer várias ondas e os impactos duradouros, as coisas começaram realmente a mudar e de uma forma bastante positiva em termos de enfoque na sustentabilidade e qualidade, porque os restaurantes não comprometeram a qualidade e alguns emergiram ainda mais fortes", salientou.

O setor, prosseguiu, está "mais dinâmico do que nunca" e Portugal e Espanha estão entre os "destinos culinários de crescimento mais rápido".

"Em todo o mundo estão a surgir lugares interessantes para comer, bons restaurantes à procura de qualidade. E o que procuramos no Guia Michelin é comida de qualidade", comentou.

"Para o Guia Michelin é realmente um mundo de oportunidades e essa é a razão pela qual estamos a expandir. Não porque mudámos as nossas estratégias. O Guia Michelin começou a expandir-se desde o início do século passado. Mas, porque existem novos mercados culinários definitivamente merecedores de serem colocados no mapa mundial", salientou.

Este ano, o guia estreou-se no Canadá (Toronto e Vancouver), no Dubai, Abu Dhabi e Turquia. Nas próximas semanas, chega à Malásia (Kuala Lumpur e Penang).

A publicação, admitiu, talvez pudesse estar a expandir-se mais rapidamente, mas os responsáveis preferem fazê-lo de "forma gradual".

"Não comprometemos a metodologia, estamos a fazemo-lo passo a passo para garantir o recrutamento das pessoas, que as treinamos e asseguramos a qualidade e consistência das avaliações", garantiu.

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