Um em cada cinco britânicos finge estar doente para ficar a ver séries

Segundo uma sondagem, metade dos inquiridos admite assistir a mais de oito horas de uma série de uma só vez. E para se poderem baldar ao trabalho telefonam a dizer que estão doentes. Mas o vício é outro.

É de facto um vício e pelos vistos há quem ache que é mesmo uma doença. Um em cada cinco telespectadores britânicos finge estar doente e telefona a dizer que não pode ir trabalhar para ficar em casa a devorar séries de televisão.

Segundo uma sondagem da Radio Times, revelada pelo jornal britânico The Guardian, metade dos inquiridos admite assistir a mais de oito horas de uma série de uma só vez. É dose - e é preciso ter tempo e arranjar uma desculpa para se baldar ao trabalho.

Ligar para o trabalho a dizer-se doente é, avança o jornal, geralmente associado a ressacas, a dias feriados ou a doenças verdadeiras. Mas agora os programas de televisão parecem concorrer para uma fatia considerável de pessoas dizer-se doente. A uma pesquisa da Radio Times, feita junto de 5 500 pessoas, 18% das pessoas responderam que ficaram "doentes" em casa especificamente para ver séries de TV.

Este advento de "binge-watch", como descrevem os anglo-saxónicos, que podemos traduzir por "compulsão para ver", surgiu em 2013, quando o Netflix permitiu que os telespectadores assistissem à primeira temporada inteira de House of Cards de uma só vez. Mesmo que se desconheça se alguém fez uma maratona a ver os episódios da série.

Desde então os padrões de visualização da televisão alteraram-se profundamente, deixando de ser necessário esperar por um determinado horário de um certo dia da semana para acompanhar a série de TV favorita ou aquele filme que se quer ver muito.

Com a vontade de ver o que se segue, também há quem perca horas de sono: 80% dos que responderam ao inquérito da Radio Times confirmaram ter retardado a ida para a cama para continuar a ver um programa. Investigadores apontaram antes que espectadores compulsivos são mais propensos a experimentarem ansiedade, stress elevado e depressão.

"A ascensão dos gigantes de streaming nos Estados Unidos e a tradicional adoção de serviços de streaming e catch-up pelos radiodifusores britânicos mudaram fundamentalmente o modo como consumimos televisão", apontou Tim Glanfield, diretor editorial da RadioTimes.com.

"Para muitos, a ideia de esperar uma semana para um novo episódio ou um ano para uma nova série é a exceção e não a regra em 2019. Ser capaz de descobrir e depois devorar horas (se não dias) de um programa de uma vez é a nova norma", constatou.

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