Por "lapso", Uber aconselha estacionamento de bicicletas no passeio

Empresa diz que foi "um lapso" que decorreu da tradução da versão americana

A Uber colocou 750 bicicletas elétricas nas ruas de Lisboa com a indicação aos utilizadores de que devem estacionar prendendo os equipamentos a um "suporte de bicicletas". E se não houver nenhum disponível? "Estacione-as no passeio onde não obstruam a passagem de peões e outros veículos", sugeriu a empresa no site oficial da Jump, e na mensagem que enviou aos utentes da Uber, que remetia para a mesma explicação.

Acontece que o estacionamento de velocípedes nos passeios é ilegal e sujeito a multa - o Código da Estrada estabelece que é proibido estacionar veículos (bicicletas incluídas) em cima dos passeios e noutros locais destinados à circulação de peões. Isso mesmo confirmou ao DN a Câmara de Lisboa. "Os locais para estacionamento de velocípedes são os autorizados no Código da Estrada e os hotspots que existem na cidade de Lisboa. Não há outros locais para estacionar, não é permitido estacionar no passeio", afirmou fonte oficial da autarquia, acrescentando que esta proibição está especificada no memorando de entendimento assinado com a Jump.

Já a Uber, através da assessoria de imprensa, diz tratar-se de "um lapso" que decorreu da "tradução feita com base na versão americana". Acrescentando que a empresa tem uma equipa específica para resolver as situações de mau estacionamento das bicicletas elétricas, e que estas têm de ser deixadas nos locais próprios, a mesma fonte garantiu que a situação será prontamente corrigida.

No ano passado, a Câmara de Lisboa mandou remover bicicletas da oBike por "utilização desregrada da via pública". A rede de bicicletas para bikesharing, que pertencia a uma startup de Singapura, dispensava as estações fixas e os casos de velocípedes deixados na via pública começaram a multiplicar-se. Neste caso em particular, a empresa terá também iniciado a atividade sem autorização administrativa.

As Jump começaram a circular nas ruas de Lisboa esta quinta-feira, surgindo como uma alternativa à rede GIRA, gerida pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL).

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