Recorde de bebés no primeiro semestre: mais de 42 100 nascimentos

Dados do "teste do pezinho" mostram recorde dos últimos três anos no mesmo período, com mais 352 nascimentos que em 2018.

Mais de 42 100 crianças nasceram no primeiro semestre do ano em Portugal, um recorde dos últimos três anos para igual período, segundo dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (PNDP).

No âmbito do PNDP, que cobre a quase totalidade dos nascimentos, foram estudados 42 138 recém-nascidos nos primeiros seis meses deste ano - mais 352 que os 41 786 registados em igual período de 2018.

Os dados do PNDP, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), indicam que no primeiro semestre de 2017 tinham sido estudados 41 689 recém-nascidos.

Para encontrar um valor superior ao registado entre janeiro e junho deste ano é preciso recuar ao primeiro semestre de 2016, quando foram estudados 42 758 bebés.

Os números indicam que, no total, em 2018 foi registado o valor mais alto dos últimos sete anos: 86 827 recém-nascidos estudados.

Em 2017 tinham sido 86 180, no ano anterior 87 577 e, em 2015, foram 85 056 os bebés estudados no âmbito daquele rastreio universal de saúde pública conhecido como "teste do pezinho".

Segundo o Instituto Ricardo Jorge, mais de 3,8 milhões de crianças foram rastreadas em 40 anos do "teste do pezinho". Desse total, foram detetadas 2132 crianças com doenças raras que puderam iniciar rapidamente o tratamento.

Desde o arranque do programa e até ao final de 2018, foram rastreadas 3 803 068 crianças e diagnosticados 2132 casos, 779 dos quais de doenças metabólicas, 1304 de hipotiroidismo congénito e 49 de fibrose quística, segundo o INSA.

O programa arrancou em Portugal em 1979 com o rastreio da fenilcetonuria, cuja prevalência em Portugal é de um caso por cada 10 867 nascimentos. Dois anos mais tarde passou a incluir o hipertiroidismo congénito, com uma prevalência de um caso por cada 2892 nascimentos.

O "teste do pezinho" deve ser realizado entre o terceiro e o sexto dia de vida do bebé, consistindo na recolha de gotículas de sangue através de uma picadinha no pé. Não sendo obrigatório, tem atualmente uma taxa de cobertura de 99,5% e o tempo médio de início do tratamento é de 9,9 dias.

No início, a cobertura situava-se nos 6,4% e o tratamento iniciava-se em média aos 28,5 dias.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.