Taxa de infeção entre familiares mais alta do que se pensava

Estudo do CDC, a autoridade dos EUA para o controlo de doenças mostra que mais de metade das pessoas que vivem com alguém infetado são contagiadas

O contágio entre familiares da infeção causada pelo SARS-CoV-2 é uma das principais vias pelas quais a pandemia de covid-19 tem alastrado nos diferentes países, incluindo em Portugal. Esse é um facto conhecido, mas essa taxa de contágio pode estar bastante subestimada.

É para aí, pelo menos, que aponta um estudo realizado por especialistas do CDC, a autoridade dos Estados Unidos para a prevenção e controlo de doenças. Os dados, citados no site daquela agência mostram que este tipo de contágio é, não apenas muito comum, mas também muito rápido a acontecer.

Na prática, segundo o estudo, mais de metade (53%) das pessoas que vivem com alguém que ficou infetado é contagiado. Até agora, os outros estudos sobre esta mesma questão apontavam para percentagens entre os 20% e 40%.

Para chegar a esta nova conclusão, os especialistas do CDC avaliaram de perto 101 pessoas de vários estados do país que ficaram infetadas com covid-19, bem como outras 191 que viviam com estas nos respetivos agregados familiares.

Os resultados mostraram, então, que 53% das pessoas que viviam com uma pessoa infetada ficaram também infetadas. Mas não é tudo. Em 75% dos casos esse contágio familiar ocorreu no decurso de apenas cinco dias, e independentemente de o primeiro doente ser adulto ou criança.

De acordo com os autores da investigação, esta taxa de transmissão de 53% é mais alta do que até agora tinha sido observado noutros estudos, que apenas reportavam valores entre 20% e 40%.

Além disso, "menos de metade dos doentes confirmados apresentavam sintomas quando a infeção foi confirmada, e muitos não tiveram sequer sintomas nos primeiros sete dias da doença", dizem os autores do estudo, citados na CNN.

Este último dado, sublinham, "mostra bem o potencial de transmissão da doença por parte dos assintomáticos secundários e a importância de se fazer quarentena".

Por isso, alerta o CDC, todo o cuidado é pouco nas interações familiares. No seu site, o CDC recomenda, tal a OMS e outras autoridades de saúde, que qualquer pessoa deve entrar em auto-isolamento imediato se tiver tido algum contacto de risco, se tiver um teste positivo ou se tiver sintomas suspeitos da doença.

Em qualquer um destes casos, os outros membros da família que vivem na mesma habitação devem também usar máscara. E, nestas condições, todos os membros da família devem ficar de quarentena em casa.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG