"Sinto-me atraído por: homens, mulheres ou ambos?" Ministério investiga pergunta a alunos do 5.ª ano

O ministério da Educação está a investigar o caso de um inquérito feito a alunos do 5.º ano. A escola não presta declarações.

Alunos do 5.º ano de escolaridade da Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto, terão recebido uma "ficha sociodemográfica", onde é perguntado se sentem mais atraídos por homens, mulheres ou ambos. Ministério da Educação abriu um inquérito para investigar a situação. A imagem do inquérito tornou-se viral nas redes sociais, suscitando comentários a condenar as questões. Entre elas, "sente-se atraído por homens, mulheres ou ambos?"

"O ministério da Educação não conhecia o inquérito em questão. Sabe-se para já que é um caso isolado e está a apurar informação junto do estabelecimento escolar em causa", revela ao DN o gabinete de comunicação do ministério da Educação.

Esta quarta-feira começou a ser partilhada nas redes sociais a imagem do inquérito, que terá sido fotografada por um aluno.

"O ministério da Educação não conhecia o inquérito em questão. Sabe-se para já que é um caso isolado e está a apurar informação junto do estabelecimento escolar em causa", revela ao DN o gabinete de comunicação do ministério da Educação.

Contactada pelo DN, fonte do estabelecimento de ensino diz que "a escola não presta declarações". O DN tentou ainda entrar em contacto com a direção do Agrupamento Garcia de Orta, mas até ao momento não obteve resposta.

O inquérito inclui ainda questões sobre se já têm ou já tiveram namorado ou namorada, com quem vive, a nacionalidade e dados sobre o encarregado de educação.

O DN apurou que a direção da escola já teve acesso à imagem que circula nas redes sociais e também está averiguar o que se passa.

Um caso recente de um questionário feito na escola em que era perguntado a pais se são ciganos ou brasileiros alertou para o fato deste género de inquéritos terem de ser aprovados previamente pelo Ministério da Educação e receberem uma autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados e da Direção-Geral da Educação.

"Não gostava que isto tivesse sido entregue a um filho meu"

"Não gostava que tivesse sido entregue a um filho meu", responde Isabel Spratley Rio, mãe de um aluno inscrito no 9.º ano da escola Francisco Torrinha, ao DN. É cautelosa nas respostas, pois foi através do Diário de Notícias que soube da existência desta imagem que circula nas redes sociais. Não recebeu nenhum pedido de autorização para que o filho respondesse a estas ou quaisquer perguntas no âmbito de uma ficha sociodemográfica.

"Precisava de perceber como é que isto aconteceu", adianta. "Conhecendo a direção da escola, isto não passariam mas também não sei como chegou aos alunos. Tenho ideia de que são muito cuidadosos". E conclui: "Se foi assim, chegar à sala de aula e preencher parece-me mal".

Fonte da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), contactada pelo DN, refere que "a adequação do conteúdo dos inquéritos realizados a alunos em escolas não é matéria da competência da CNPD" e remete o assunto para a Direção-Geral de Educação.

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