Sem mistérios nem assombrações

Como o nome indica, a sua função é barrar, estancar. As águas, não as pessoas. Para estas, a barragem do rio da Mula é um ponto de partida para uma viagem em Sintra, sem misticismos

Na barragem do rio da Mula as atividades náuticas estão proibidas. Pescar, idem. Dar umas braçadas ou um simples mergulho, igualmente. A vista é aquela que se espera de um conjunto de água rodeado de eucaliptos e pinheiros. Não é um parque de estacionamento ou um centro comercial, mas também não parece muito estimulante.

Há uns anos aquele local era procurado pelas famílias para se abastecerem de água na bica situada no início da subida para a Pedra Amarela. Não era incomum ouvir-se ao fundo o irritante zumbido das motos de quem andava a explorar os trilhos. Mudam-se os tempos, mudam-se as sonoridades.

Agora a pequena barragem é sobretudo um ponto de partida de quem vai explorar a serra de Sintra a partir da vertente sul. Se o tempo for propício, aos domingos de manhã é ver dezenas e dezenas de desportistas a sair dali montados em duas rodas, a cavalo ou simplesmente a trote nas próprias pernas. Hoje, como sempre, os trilhos são ponto de passagem dos caminhantes, mas também ou sobretudo pelas tribos do trail - na qual me incluo de quando em vez - e da BTT.

Deve-se, aliás, às gentes das bicicletas e das corridas a abertura e manutenção de alguns trilhos tão extraordinariamente belos quanto difíceis de trepar ou de baixar, consoante o ponto em que nos encontramos. Não por acaso alguns deles são chamados de Kamikazes.

Caminhada para todos, menos os mais distraídos

Mas a serra a partir da barragem não é indicada apenas para desportistas todo-o-terreno. Por exemplo, o trilho das pontes. Numa zona dominada pela praga das acácias (mas que aqui empresta um ambiente notável), o percurso atravessa em pequenas pontes o rio da Mula mais de 20 vezes. Apesar de ter sido criado para bicicleta, é uma caminhada apta para muitos, exceto para aquelas pessoas muito distraídas.

Para essas, os estradões são o mais indicado. Nos últimos tempos, decerto como medida de segurança, estes foram alargados em muitos pontos e há quem tema que a pressão turística possa transformá-los, cada vez mais, em estradas de excursões turísticas.

Quinta do Pisão, Peninha, Capuchos, Monge ou Adrenunes fazem parte das rotas de quem por ali começa e acaba um treino. Cada um destes locais merece uma visita. A barragem é só o ponto de partida.

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