Revista médica britânica pede esclarecimentos sobre vacina russa

O pedido de esclarecimento da revista The Lancet surge após dúvidas levantadas sobre a veracidade dos resultados de dois ensaios cínicos da vacina russa Sputnik V.

A revista médica britânica The Lancet anunciou esta quinta-feira que pediu esclarecimentos sobre a vacina candidata russa Sputnik V, após dúvidas levantadas sobre a veracidade dos resultados de dois ensaios cínicos, que foram divulgados na publicação.

Numa carta aberta dirigida na segunda-feira à The Lancet, e subscrita por 30 cientistas, sobretudo europeus, o investigador italiano Enrico Bucci questiona a veracidade dos dados de um artigo publicado a 4 de setembro pela revista médica, que descreve os resultados de dois ensaios clínicos nas fases iniciais.

Na carta, Enrico Bucci realça que há uma semelhança total ou muito elevada de dados entre voluntários que foram inoculados com duas formulações diferentes da vacina candidata, considerando que tal é "altamente improvável".

O investigador lamenta a falta de acesso aos dados originais e defende que o artigo publicado na The Lancet "apresenta vários pontos de preocupação".

Em resposta à carta aberta, a publicação britânica "incitou aos autores do estudo sobre a vacina russa a responderem às questões levantadas" e assegurou que "seguirá a situação de perto".

À agência noticiosa francesa AFP, a revista recordou que o trabalho russo foi avaliado, antes da publicação, por um comité científico independente formado por especialistas em vacinas e na doença covid-19.

Investigador russo nega acusações

O autor principal do artigo, o investigador russo Denis Logunov, citado pela agência noticiosa oficial russa RIA Novosti, refuta as acusações, alegando que a The Lancet teve acesso a "todos os dados recolhidos durante as investigações científicas".

O artigo refere que a vacina candidata russa desencadeia uma resposta imunitária sem causar efeitos adversos graves.

Antes da publicação, a 4 de setembro, dos resultados preliminares dos dois ensaios clínicos, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou, no início de agosto, que o seu país tinha desenvolvido a primeira vacina contra a covid-19, gerando a desconfiança entre a comunidade científica internacional.

Vacina administrada em habitantes de Moscovo

A potencial vacina, que ainda não passou pelo crivo da fase final de ensaios clínicos, que inclui testes de segurança e eficácia mais alargados, começou a ser administrada aos habitantes de Moscovo.

Os dois ensaios clínicos, cujos resultados foram publicados na The Lancet, decorreram durante 42 dias, englobando, cada um, 38 adultos saudáveis.

Segundo o artigo, foram dadas duas formulações de uma vacina candidata que induziram a formação de anticorpos contra o coronavírus da covid-19 em todos os participantes em 21 dias.

A pandemia da covid-19 já provocou mais de 904 mil mortos e quase 28 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço diário feito pela AFP.

Em Portugal, morreram 1.852 pessoas dos 62.126 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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