Relicário do novo santo português esteve desaparecido 48 horas

A relíquia do mais novo santo português, frei Bartolomeu dos Mártires, foi roubada há três semanas. O autor do assalto foi detido e a Igreja de São Domingos volta a ter o relicário com os seus restos mortais em exposição.

O pequeno relicário com os restos mortais do próximo santo português, Frei Bartolomeu dos Mártires, era a "pérola" da igreja de São Domingos em Viana do Castelo. Mas um jovem de 25 anos decidiu roubar o relicário onde está uma vértebra do antigo arcebispo de Braga, num assalto em que danificou a antiga imagem de Nossa Senhora das Dores ao arrancar uma das sete espadas da imagem para abrir ainda a caixa das esmolas.

Frei Bartolomeu dos Mártires será o próximo santo português, tendo o papa Francisco anunciado este sábado a sua canonização, após um processo que teve início em 2015.

A rápida intervenção da Polícia Judiciária localizou a peça roubada e deteve o assaltante. Agora, a "pérola", é assim que o pároco da igreja define o relicário de Frei Bartolomeu dos Mártires, vai voltar a ser exposta na igreja de São Domingos, no entanto sob "uma forma mais segura". Para Vasco Gonçalves, "não é tanto o valor do relicário, mas o significado da relíquia (uma vértebra da coluna) para os cristãos".

Vasco Gonçalves confirmou que a Igreja de São Domingos "tem alarmes", no entanto considerou que o "dourado do relicário deve ter encantado" o autor do roubo.

Segundo o pároco da freguesia de Monserrate, Vasco Gonçalves, em declarações à Lusa, o anúncio da recuperação do relicário com uma ossada do beato e a detenção de um homem de 25 anos, foi "uma alegria muito grande". Segundo Gonçalves costuma dizer aos paroquianos, o relicário do futuro santo português é o "nosso tesouro".

Para o pároco, o roubo do relicário na tarde do dia 11 de junho "não se enquadra num ato de profanação religiosa, mas antes de desconhecimento do valor da peça que guarda os restos mortais de frei Bartolomeu dos Mártires".

Segundo outras declarações do pároco, o relicário roubado "não tem grande valor comercial, mas o que continha no seu interior, a ossada de Frei Bartolomeu dos Mártires, é de valor incalculável".

Também o bispo de Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira, considerou então em declarações à imprensa que o roubo dos restos mortais do beato Bartolomeu dos Mártires era um "atentado à sensibilidade" dos católicos. Acrescentou que os católicos do Alto Minho têm uma "veneração muito grande" pelo antigo arcebispo português, daí questionar a verdadeira razão "em saber quem, o porquê e com que fim foi feito o roubo do relicário". "É mais uma ofensa à Igreja do que à figura de tão insigne" bispo, considerou.

A Polícia Judiciária, nos dias posteriores, revelou que o "presumível autor de um furto qualificado de obra arte sacra fora detido ao final da tarde de quinta-feira (13) e iria ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas".

Frei Bartolomeu dos Mártires é muito venerado em Viana do Castelo, onde ficou conhecido por ter mandado construir o Convento de Santa Cruz e, principalmente, pela sua dedicação aos pobres e às causas sociais, daí ter ficado conhecido por "arcebispo santo, pai dos pobres e dos enfermos". Teve um importante papel no Concílio de Trento.

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