Registada a nova temperatura mais fria de todos os tempos do hemisfério norte

Em 1991 registou-se -69º C na Gronelândia, um valor quase 2º C mais frio do que os registos anteriores conhecidos

A temperatura mais fria já registada no hemisfério norte acaba de ficar mais... fria, graças ao trabalho dos investigadores climáticos da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Pesquisando os arquivos da OMM de registos de temperatura de estações meteorológicas nos polos, os investigadores descobriram que a leitura da temperatura mais fria veio de uma estação meteorológica automática na Groenlândia a meio de um inverno de há quase 30, quase 2º C mais fria do que as dos registos conhecidos.

A estação Klinck, na Gronelândia, perto do cume do manto de gelo, registou -69,6º C a 22 de dezembro de 1991, uma leitura substancialmente mais baixa do que os -67,8º C registados em Verkhoyansk, na Rússia, em fevereiro de 1892, e no site Oimekon da Rússia em janeiro de 1933.

Todos os três são excecionais para o hemisfério norte, mas batidos pela temperatura mais fria já registado no planeta pelos -89.2º C atingidos a 21 de julho de 1983, a meio de um inverno do hemisfério sul, na estação meteorológica de alta altitude Vostok, na Antártida.

Os extremos do clima nas regiões polares são de particular interesse para os cientistas do clima, pois os investigadores criam modelos do clima do passado e do futuro. Nesta semana, descobriu-se que o gelo marinho do Ártico encolheu até ao segundo nível mais baixo em 40 anos.

As temperaturas no Ártico dispararam neste verão, com uma onda de calor na Sibéria e um calor incomum em toda a região. A estação meteorológica de Verkhoyansk, cujo recorde de baixa temperatura foi derrubado pela nova descoberta, mostrou uma temperatura de 38º C a 20 de junho deste ano, que a OMM está considerar agora como candidata a temperatura mais alta de sempre no norte do círculo ártico.

"Na era das alterações climáticas, muita atenção se concentra em novos registos de calor. Este registo de frio recém-reconhecido é um lembrete importante sobre os fortes contrastes que existem neste planeta", disse Petteri Taalas, secretário-geral da OMM.

A pesquisa nos arquivos permite que os cientistas verifiquem padrões de temperatura, além de fornecer dados valiosos para modelos climáticos. A estação Klinck operou por dois anos no início dos anos 1990, antes dos seus instrumentos automatizados serem enviados para utilização na Antártida.

O registo veio à tona somente depois de um grupo da OMM ter rastreado os cientistas originais. Os dados tiveram de passar por uma verificação rigorosa antes de o novo registo ser aceite e foram publicados no Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society.

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