Número de mulheres toxicodependentes a dar à luz nos EUA aumentou em 15 anos

Recém-nascidos que sofrem de síndrome de abstinência neonatal ficam no hospital durante 17 dias

Nos Estados Unidos existem cada vez mais mulheres toxicodependentes a dar à luz. Este aumento tem se vindo a registar durante mais de 15 anos, embora tais estatísticas variem ao nível regional: se no Havai o número de mulheres viciadas em opioides corresponde à média nacional, já na Virgínia ocidental houve um aumento de 53%.​​​​​

Algumas pesquisas dos Centros para o Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) divulgados pelo jornal britânico The Guardian mostram um aumento do número de crianças com exposição a drogas e cujo nascimento é forçado, o que se pode refletir numa consciencialização crescente da condição entre os médicos.

Dados dos investigadores indicam que entre 1999 e 2014 houve uma subida do número de mães toxicodependentes de 1,5% para 6,5% a cada mil nascimentos. Os estados do Maine, Novo México, Vermont e Virgínia ocidental registam valores recorde, sendo que em Vermont registou-se uma subida de 0,5% para 48,6% entre 2001 e 2014, enquanto na Virgínia ocidental as estatísticas apontam para um aumento de 0,6% para 32,1% entre 2000 e 2014. Por outro lado, em 2000 cerca de 0,6% das mulheres que entraram em trabalho de parto no Havai eram toxicodependentes, enquanto em 2014 essa percentagem foi de 2,4%, o que corresponde a um aumento de 4% ao longo de 14 anos.

"Estas descobertas ilustram o impacto devastante da epidemia de opioides nas famílias ao longo dos EUA, incluindo nas camadas mais jovens. O transtorno do uso de opioide, se não for tratado durante a gravidez, pode originar resultados desoladores. Cada caso representa uma mãe, uma criança e uma família que precisam de tratamento e apoio contínuos", disse o diretor dos CDC, dr. Robert Redfield.

Para os investigadores, existe uma reflexão das tendências de prescrição de opioides por parte desta variação regional. Em 2012 os médicos da Virgínia ocidental escreveram 138 prescrições de ópio para cada 100 residentes, o que pode explicar a grande percentagem de mulheres toxicodependentes que deram à luz, e isso obrigou os médicos a repensar o quanto eles se preocupam com os recém-nascidos. Segundo o New England Journal of Medicine (NEJM), normalmente os bebés que sofrem de síndrome neonatal costumam permanecer no hospital durante 17 dias. Normalmente as mães que dão à luz viciadas em opioides, para além de tentarem lutar contra o vício, também precisam de encontrar formas de visitar os seus filhos que ficam no hospital. Ainda de acordo com o NEJM, esta síndrome de abstinência neonatal também afeta crianças cujas mães estiveram em tratamento nas terapias de reposição. Dados sobre crianças expostas a drogas, como os opioides, só são exigidos a hospitais situados em nove estados norte-americanos.

"Mesmo nos estados com os menores aumentos anuais, cada vez mais mulheres estão a apresentar problemas relacionados com o uso de ópio durante o parto. Ao nível estatal, estes dados podem providenciar uma sólida base para o desenvolvimento e a adaptação de esforços em prevenção e tratamento", disse a dra. Wanda Barfield, diretor do centro do departamento de saúde reprodutora do CDC.

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