Novo desastre ambiental no Ártico

Uma grande quantidade de combustível foi despejada na natureza, perto da região industrial russa de Norilsk, no Ártico. É o segundo incidente do género em dois meses.

Cerca de 44,5 toneladas de resíduos de um oleoduto acabaram no ambiente, informou a empresa Norilsk Transgas, uma subsidiária da Norilsk Nickel (ou Nornickel), a maior empresa extratora de níquel e de paládio do mundo.

"Um oleoduto propriedade da Norilsk Transgaz foi despressurizado enquanto bombeava combustível de aviação na área da povoação de Tukhard", comunicou a empresa.

"Segundo os dados preliminares, como resultado da despressurização, que durou cerca de 15 minutos, houve um derramamento de até 44,5 toneladas de combustível", continuou.

Anteriormente, a filial da Nornickel disse que a quantidade de combustível derramado era de 20 toneladas.

A povoação de Tukhard situa-se a cerca de 100 quilómetros de Norilsk e a cerca de 70 quilómetros do porto ártico de Dudinka.

A empresa disse que a conduta foi fechada e que estavam a ser tomadas medidas para recolher o combustível derramado. Informou também que o acidente não colocou em perigo os humanos. Por fim, a Norilsk Transgas abriu uma investigação interna.

A Norilsk Transgas é responsável por um desastre ambiental de maiores proporções: no final de maio derramou 21 mil toneladas de combustível do tanque de uma central térmica, tendo a Greenpeace comparado o sucedido com o derrame do Exxon Valdez no Alasca, em 1989.

O líquido atingiu o solo, dois rios, e um lago a jusante após o tanque de armazenamento ter cedido ou afundado devido ao que a empresa disse ser o descongelamento do solo permafrost.

Dois gestores de fábrica e dois engenheiros de topo foram presos por suspeita de violação das regras de proteção do ambiente. O presidente da Câmara de Norilsk e um inspetor governamental também foram acusados de negligência.

Propriedade de bilionários russos

A empresa é detida maioritariamente pelo oligarca Vladimir Potanin, e também tem como acionista outro oligarca, Oleg Deripaska. Este tornou-se conhecido no Ocidente após se ter conhecido as suas ligações com Paul Manafort, ex-diretor da campanha de Donald Trump, que cumpre atualmente pena de prisão. Em 2019, Deripaska viu o presidente dos EUA levantar as sanções relativas às suas empresas.

A Norilsk Nickel comprometeu-se em pagar os custos da limpeza estimados em 10 mil milhões de rublos (129 milhões de euros).

Mas aparentemente Moscovo não se mostrou sensibilizado com esse gesto. Depois de o presidente Vladimir Putin ter declarado o estado de emergência, o Serviço Federal de Supervisão dos Recursos Naturais disse ter enviado um pedido de "indemnização voluntária" à filial da Norilsk Nickel, tendo avaliado os danos em 1,8 mil milhões de euros.

Desconhece-se se a empresa irá aderir a esse pedido, tendo até em conta o valor.

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