Nova espécie de humanos descoberta nas Filipinas pode obrigar a reescrever a história

Nomeada como "homo luzonensis", esta espécie terá vivido pelo menos até há 50 mil anos.

É mais uma espécie - a sexta - a juntar-se à lista cada vez mais longa de espécieshomo identificadas. A descoberta foi feita na ilha de Luzón e por isso foi chamada de homo luzonensis, uma homenagem à ilha onde se situa a gruta de Callao, o local das escavações.

De acordo com o artigo publicado esta quarta-feira na revista Nature, a nova espécie humana foi identificada a partir de ossos e dentes fossilizados de dois adultos e uma criança, datados de entre 50 a 67 mil anos atrás - o que coloca esta espécie a viver em simultâneo com o homo sapiens, o antepassado do homem moderno.

As características identificadas através dos fósseis levantam vários enigmas quanto a esta nova espécie. Os dentes - dois pré molares e três molares - são pequenos, semelhantes aos do homem atual e do homo floresiensis, outra das seis espécies humanas identificadas, um ser de baixa estatura (não mais que um metro de altura) e cérebro de chimpanzé que viveu na mesma altura na ilha das Flores, na Indonésia. Mas, por outro lado, os ossos das mãos e pés do homo luzonensis revelam-se muito mais primitivos, comparáveis aos australopitecos que viveram em África dois milhões de anos antes e que tinham ainda as extremidades adaptadas à vida nas árvores. No restante, desconhece-se em absoluto qual seria a fisionomia destes seres, bem como a sua altura. Embora os dentes pequenos apontem para uma baixa estatura, o único vestígio encontrado que permitiria sabê-lo com precisão, um osso da coxa, foi encontrado partido.

Esta descoberta levanta uma outra incógnita, de difícil resposta - a ilha de Luzón está rodeada por mar há dois milhões e meio de anos. Como é que o homo luzonensis lá chegou? O jornal espanhol El País aponta várias teorias levantadas pelos cientistas. A que é tida como mais plausível centra-se no cenário de estes hominídeos serem descendentes do homo erectus, que saiu de África e povoou a Ásia há cerca de 1,8 milhões de anos (uma migração muito anterior à do homo sapiens, que ocorreu há cerca de 70 mil anos). O isolamento na ilha e a consanguinidade resultante dessa circunstância acabariam por levar a que, numa evolução de milhares de anos, o homo luzonensis acabasse por ter uma estatura inferior à dos seus antepassados.

Outra possível explicação é que o luzonensis resulte de uma migração que deixou África ainda antes do homo erectus, possivelmente ainda ao tempo do australopitecos. Mas não há qualquer vestígio fóssil que corrobore esta teoria.

Uma terceira hipótese, defendida por Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, remete o luzonensis, como o homem da ilha das Flores, para um antepassado local comum, originário da ilha de Sulawesi, onde foram encontradas ferramentas de pedra com cerca de 110 mil anos.

E há outro mistério que fica por esclarecer. Os chamados hobbits da ilha das Flores (assim nomeados popularmente por causa da baixa estatura) terão desaparecido há cerca de 50 mil anos, uma datação que coincide com o povoamento do continente asiático pelo homo sapiens. Os restos do luzonensis que agora foram encontrados têm também essa antiguidade mínima, o que levanta a questão de saber se os nossos antepassados mais diretos terão tido alguma coisa a ver com o desaparecimento destas espécies.

Atualmente, as seis espécies de humanos identificadas são o Homo Sapiens, o Homo Erectus, o Homem de Neanderthal, os denisovanos, os hobbits da ilha das Flores (o Homo Floresiensis) e agora, os luzonensis. É sabido que o Homo Sapiens se cruzou pelo menos com os neandertais e os denisovanos, uma mistura que ainda se repercute nos genes do homem moderno.

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