Muitas noites sem dormir podem contribuir para o desenvolvimento de Alzheimer

Investigadores associam a falta de qualidade de sono e o sono insuficiente à acumulação de proteínas ligadas à demência

Sonolência, irritação, falta de energia são alguns dos sintomas depois de uma noite com poucas horas de sono. Mas se persistirmos em dormir pouco durante várias noites, além do mau humor há também consequências na nossa saúde. O défice de sono contribuir para aumentar os riscos de uma doença cardiovascular e de doenças autoimunes, Esta terça-feira, os investigadores reunidos na Milken Institute's Future of Health Summit, debateram também a ideia de que a falta de sono pode ter um papel importante no desenvolvimento de doenças mentais.

"Os distúrbios e o sono insuficiente contribuem para o Alzheimer, muito antes de as pessoas desenvolverem esse distúrbio", afirmou Ruth Benca, psiquiatra da Universidade da Califórnia, num painel da conferência que se realizou em Washington.

Benca investigou a relação entre o sono - particularmente o sono profundo conhecido como "movimento rápido de olhos" (REM) - e o desenvolvimento posterior da demência. Em 2017, a sua equipa acompanhou uma série de indivíduos saudáveis mas com uma variante de um gene denominado APOE, que os coloca num grupo de maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Assim, descobriram que os indivíduos que relataram sono de baixa qualidade tendem a acumular mais proteínas associadas à doença de Alzheimer (amiloide e tau) no fluído que envolve cérebro.

No mesmo ano, outro estudo constatou que, entre um grupo de adultos com mais de 60 anos, aqueles que demoravam mais a entrar no REM e sonhavam menos tinham um risco mais elevado de desenvolver demência. E, no ano passado, investigadores do National Institute of Health em Betesheda publicaram resultados de um estudo que concluiu que participantes saudáveis que concordaram em, durante uma noite, acordar de hora a hora, no dia seguinte apresentavam níveis mais elevados de amiloide.

Já no início deste ano, um outro grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington descobriu que pessoas mais idosas que tinham menos períodos de sono profundo também tinham mais quantidades da proteína tau, abundante nos neurónios do sistema nervoso central, com várias funções de regulação.

A relação inversa também pode ser verdadeira: acumulação de amiloide e tau também pode contribuir para a falta de sono. As pessoas com Alzheimer têm geralmente perturbações do sono.

No entanto, se se concluir que o sono tem um papel importante no desenvolvimento da demência, isso pode ser usado para desenvolver novas terapias e ações preventivas da doença.

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