Mark Zuckerberg demarca-se de acusações anti-semitas

Empresa de relações públicas contratada por Facebook acusou o milionário George Soros de financiar organizações críticas da plataforma de conteúdos. Zuckerberg garante que tem "um tremendo respeito" por Soros

As agruras de Mark Zuckerberg parecem não ter fim. No mais recente episódio de desmandos relacionados com o Facebook, o co-fundador, presidente e CEO da famosa plataforma de partilha de conteúdos viu-se obrigado a convocar à pressa, esta quinta-feira, uma conferência de imprensa para garantir publicamente que "não sabia" que a sua empresa trabalhava com uma companhia de relações públicas "que recorre a propaganda anti-semita".

Na sequência da chuva de críticas acerca da forma como lidou com o caso dos trolls russos infiltrados em contas do Facebook que favoreceram a eleição de Donald Trump, a empresa de Zuckerberg contratou uma firma de relações públicas, a Definers Public Affairs, ligada aos republicanos americanos, para redefinir a sua imagem, mas, de acordo com um artigo do New York Times, publicado esta terça-feira, as coisas não correram da melhor maneira.

A estratégia da Definers foi a de tentar desacreditar as críticas, acusando os seus autores de estarem ligados ao famoso filantropo judeu de origem húngara George Soros. A ação da empresa acabou por ser denunciada esta terça-feira num artigo do New York Times.

"Eu só soube pelo New York Times", afirmou Zuckerberg, citado no The Guardian. E acrescentou: "Assim que tomei conhecimento disso, falei com a nossa equipa e deixámos de trabalhar com essa firma."

De acordo com o extenso artigo do New York Times, que traça toda a história dos acontecimentos que abalaram o gigante das redes sociais desde que se soube da partilha não consentida de dados dos seus utilizadores para fins políticos, os executivos do Facebook "lidaram mal" com a questão: adiaram decisões e a comunicação da situação. E em seguida, prossegue o diário de Nova Iorque, também não enfrentaram bem as críticas, ao contratarem os serviços de uma empresa que assentou a sua estratégia em passar a ideia de que os críticos do Facebook estariam a ser pagos por George Soros.

Nas suas declarações aos jornalistas esta quinta-feira, Mark Zuckerberg garantiu ter "um tremendo respeito por George Soros". O objectivo", disse, citado pelo Guardian, "não foi atacar uma pessoa [George Soros], mas demonstrar que um grupo [o Fredom from Facebook, que surgiu publicamente a encabeçar críticas ao Facebook] que se apresentava a si próprio como um grupo independente foi, na verdade, financiado, e não era um grupo independente".

Tim Miller, da empresa de relações públicas Definer também veio a público demarcar-se de quaisquer posições anti-semitas. "Partilhámos um relatório inteiramente factual sobre o financiamento de um grupo anti-Facebook, e os organizadores do [Instituto] Opens Markets reconheceram que recebem fundos de Soros", escreveu no Twitter, citado pelo Guardian. No mesmo tweet, Tim Miller conclui: "Já defendi Soros de acusações que não se baseavam em factos".

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