Maio de 2019 foi o 4.º mais seco deste século

Conselho de Ministros desta quinta-feira é dedicado ao Ambiente. Da agenda faz parte o Roteiro de Neutralidade Carbónica, que deve ser aprovado. Esta quarta-feira o IPMA revelou que maio deste ano foi o 4º mais seco desde 2000 e o 7º mais seco desde 1931.

Uma onda de calor desde o dia 22 de maio até aos primeiros dias de junho fez de maio de 2019 um dos mais quentes e mais secos deste século.

Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), este mês de maio foi o 7º mais quente desde 1931 e o 4º desde 2000, o valor da temperatura máxima do ar foi o 2º mais alto desde 1931, o mais alto foi maio de 2015.

Dados do IPMA revelam que a onda de calor sentida a partir do dia 22, e que se prolongou até aos primeiros dias de junho, abrangendo quase todo o território, foi agravada nos dias 30 e 31 maio, em que alguma estações meteorológicas do litoral registaram temperaturas máximas do ar que ultrapassaram os maiores valores até aí registados.

Quanto à precipitação, o IPMA revela que este maio foi o 6º mês de maio mais seco desde 1931 (o mais seco foi o mês de maio de 1991) e o 3º mais seco desde 2000, depois de 2006 e 2003.

Desta forma a situação de seca meteorológica agravou e no final de maio quase rodo o território estava em seca: 2.5 % na classe de seca extrema, 27.9 % na classe de seca severa, 22.4 % na classe de seca moderada, 46.1 % na classe de seca fraca e 1.8 % na classe normal.

"Olhamos para trás e vemos um ano de 2017 com pouca precipitação, 2018 igual e 2019 vai pelo mesmo caminho. Se nos últimos meses do ano não chover o que é necessário, vamos entrar em 2020, com uma situação pouco invejável."

Para o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos esta é a situação mais preocupante, já que relativamente a maio não podemos tirar quaisquer conclusões. O mais importante tem a ver "com a evolução da precipitação anual". E, essa, tem vindo a diminuir nas últimas décadas.

De acordo com o físico e professor universitário, o estudo e acompanhamento da evolução da precipitação ano a ano, num clima como o nosso, permite observar que tem havido uma grande variabilidade, com uma tendência marcante que nos leva a um decrescimento de precipitação que teve início nos anos de 1960. "O que nos é permitido perceber pelos registos e análise dos dados da precipitação é que desde 1960 há um decrescimento anual."

O investigador e especialista em alterações climáticas sublinha que no período de 1960 e até à última década, nomeadamente até ao ano de 2015, houve um decrescimento de 30 mm por década. "Se tivermos em consideração o ano de 1960 até um período de 50 anos percebemos que a precipitação diminuiu em 150 mm. O que é absolutamente considerável."

Um cenário que Filipe Duarte Santos diz ser uma realidade preocupante. "Olhamos para trás e vemos um ano de 2017 com pouca precipitação, 2018 igual e 2019 vai pelo mesmo caminho. Se nos últimos meses do ano não chover o que é necessário, vamos entrar em 2020, com uma situação pouco invejável."

Neste momento, argumenta, o Norte e o litoral do País não estão em seca, mas o sul, Algarve e Alentejo estão. Portanto, o que é importante para o futuro "é saber se conseguimos controlar ou não as alterações climáticas", salientando: "temos um instrumento, que é o Acordo de Paris assinado por 198 países. Uns estão a fazer o seu trabalho, outros não."

Para o físico "Portugal está a fazer o seu trabalho". O Conselho de Ministros de quinta-feira, dia 6, será dedicado ao Ambiente. Os ministros vão finalmente analisar e aprovar o documento que definirá o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, que esteve em discussão pública e gerou polémica.

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