Viver no frio e com pouca luz solar aumenta o consumo de álcool

Investigação revela que relação entre o clima e a bebida existe e que esta ligação acaba muitas vezes em doença. Um dos investigadores pede "leis mais restritas" no que toca à publicidade no inverno.

Um estudo norte-americano estabeleceu uma ligação entre o consumo de álcool, o clima e as horas de sol do local onde uma pessoa vive. Assim, pessoas que moram em locais frios, com menos raios de sol, têm mais tendência para beber e em demasia.

De acordo com um estudo publicado na Hepatology, dados de 193 países concluem que o clima contribui para as pessoas beberem muito e, em último caso, para doenças no fígado. Beber e o alcoolismo também estão ligados à depressão, que é mais comum onde há menos luz solar.

"Este é o primeiro estudo que demonstra sistematicamente que, em tudo o mundo, nas áreas mais frias e com menos sol bebe-se mais e existe mais cirrose alcoólica", afirmou Ramon Bataller, principal autor do estudo e um dos responsáveis pelo Centro de Pesquisa do Fígado de Pittsburgh, nos EUA, citado pela BBC.

Peter McCann, médico no Castle Craig Hospital, uma clínica de reabilitação numa zona da Escócia, também contribuiu para o estudo: "Temos agora provas que o clima, em particular a temperatura e a quantidade de luz solar a que somos expostos, tem uma influência forte na quantidade de álcool que consumimos".

O investigador, que pede "leis mais restritas" relativamente aos anúncios a bebidas alcoólicas "durante os meses de inverno", refere ainda que "a relação entre o clima e o consumo de álcool está diretamente ligado com o desenvolvimento da mais perigosa doença do fígado, a cirrose, que pode culminar em falha hepática e morte".

Esta segunda-feira, 19 de novembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deverá divulgar em Edimburgo novos dados sobre o consumo de álcool na Europa. Nos últimos dados, de 2016, 3 milhões de pessoas haviam morrido devido ao consumo da substância.

Refere a BBC que os dados apresentados deverão indicar que os níveis de consumo permanecem altos e que quase metade da população adulta masculina está em risco de problemas a curto e longo prazo, quer de saúde, quer sociais, devido a padrões erráticos de consumo de álcool.

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