Premium

Reportagem

Viver e crescer numa instituição e sem direito a uma família

Mais de 7000 jovens viviam em instituições em 2017. Saíram mil com 18 ou mais anos. O que é que lhes acontece depois? Deixam-se levar pelo vício, pelo crime? António e Vítor são dos que fazem a diferença.

Olha, como isto está! No meu tempo estava tudo cultivado. Deste lado eram os rapazes; do outro as raparigas; à frente o refeitório. Como isto mudou!", não para de exclamar António Silva , 60 anos. O taxista espanta-se com o que vai encontrando no Centro Educativo Navarro de Paiva, para onde foi viver há 50 anos. Tinha 10. O campo envolvente, agora ao abandono, no seu tempo dava batatas, tomates, couves, alfaces e outros legumes. Restam as árvores de fruto, particularmente uma nespereira, bem carregada. Também não é um instituto como antigamente, que juntava crianças e jovens vítimas de maus-tratos e de negligência com os que cometiam crimes. Agora é uma "prisão" para menores de 16 anos.

António caminha devagar como quem saboreia as recordações de infância. Gosta, aponta os edifícios. "Aqui eram as camaratas, ali tínhamos aulas." Pergunta o que é feito do sr. Abílio, mas também do sr. Custódio e do sr. Varela", os monitores de então.

Ler mais

Exclusivos