Viúva vence batalha judicial para aceder a fotos de família

Recuperar fotografias e vídeos feitos num iPhone, para a filha se lembrar do pai, justificaram longa disputa judicial com a Apple.

Três anos e milhares de euros depois, a inglesa Rachel Thompson ganhou a batalha judicial contra a Apple para recuperar os milhares de fotos e vídeos arquivados na conta digital do falecido marido.

Um juiz de Londres decidiu que a tecnológica norte-americana Apple permita àquela consultora imobiliária transferir as 4500 imagens e 900 filmes com que o marido - que se suicidou em 2015 - registou a vida da família e a infância da filha, noticiou o jornal The Times.

Garantir que Matilda (10 anos) possa lembrar-se do pai justificou o recurso de Rachel à justiça, perante uma atitude da Apple que qualificou como hostil e desagradável.

O marido suicidou-se sem deixar testamento ou ter indicado quem poderia aceder à sua conta em caso de morte, pelo que a Apple argumentava só poder satisfazer o pedido da viúva por ordem judicial.

Chocada com o contraste entre o arrastar dessa questão e a facilidade com que entrou na posse dos restantes bens materiais do marido, Rachel Thompson obteve o apoio pro-bono de advogados que, na semana passada, lhe permitiu ser uma das primeiras pessoas no Reino Unido - e a primeira a falar publicamente - a ganhar um processo do género.

Na sentença, o juiz sugeriu alterações legislativas para facilitar a resolução de casos similares, tornando-os mais expeditos e menos dispendiosos para os requerentes. Alguns dos advogados acrescentaram haver um "dever digital de cuidado" das empresas para com as famílias em processo de luto.

Rachel Thompson e o marido casaram 10 anos depois de se conhecerem, ela com 29 anos e ele um ano mais novo. Mark Thompson, agente imobiliário e adepto da fotografia, comprou um dos primeiros iPhones e começou a registar a vida familiar e o crescimento da filha em milhares de fotografias e vídeos.

Após a morte de Mark, de quem estava separada desde 2014, Rachel privilegiou a recuperação da herança digital desse passado comum: "Um relógio nada diz sobre alguém, por mais valioso que seja. [...] Algumas imagens básicas são muito mais valiosas e os vídeos são muito importantes porque é incrível a rapidez com que esquecemos como uma pessoa é."

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