Premium

Ranking das escolas

Vidigueira: será que ter o pior resultado é mesmo igual a ser a pior escola?

Nos percursos de sucesso básico, considerando o contexto económico e social, a escola Frei António das Chagas tem o pior desempenho. As razões que um indicador não pode mostrar.

"Sim" e "não". Manuel, claramente desconfortável na pele de entrevistado, vai respondendo por monossílabos. Por isso, fala por ele o professor de Informática, Paulo Romana, com quem ainda há uns minutos se entretinha a montar componentes numa placa-mãe de computador. "Ele neste ano chega sempre a horas, é um aluno muito mais motivado. Mudámos a metodologia de ensino e os resultados veem-se", assegura.

Aluno de uma turma PIEF [Programa Integrado de Educação e Formação], solução de último recurso para tentar segurar nas escolas estudantes na iminência do abandono, Manuel passou das rotinas diárias da sala de aula, onde se perdia desde o 2.º ciclo, para uma aprendizagem mais prática, que inclui formação em contexto de trabalho. Por exemplo, na Cooperativa Agrícola e Vitivinícola da terra. Já se imagina a tirar o secundário na escola profissional, ali ao lado, cuja oferta é centrada nos mesmos ofícios rurais.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.