Universidades mais pequenas voltam a perder vagas

O Ministério do Ensino Superior tem criado mecanismos para fomentar as instituições com menor procura ou em zonas com menos densidade populacional, mas Santarém, por exemplo, teve um corte de 70 vagas para este ano letivo. Quanto aos cursos, Direito e Medicina continuam intactos, ao passo que o curso com a média mais alta do país ganha mais lugares disponíveis.

Já no ano passado a discriminação positiva das universidades do interior e de menor procura por todo o país marcou as decisões da tutela quanto à fixação de vagas no ensino superior. Este ano, o governo reivindicou como meta o fomento destas instituições, mas três delas voltaram a sofrer um corte significativo nas vagas. O Instituto Politécnico de Santarém teve uma diminuição de 70 vagas, por consequência dos cursos que ficaram por abrir, seguido do Instituto Politécnico de Beja, que perdeu 15. Também na Universidade dos Açores foram cortadas 30 vagas.

A lista de lugares disponíveis por instituição foi esta quarta-feira divulgada pelo Ministério do Ensino Superior. O mesmo dia em que são abertas as candidaturas à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público.

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A nível nacional, as estatísticas gerais não trazem grandes surpresas: o número de vagas praticamente manteve-se, com uma subida mínima de oito (51568), comparativamente ao ano transato (51560). Ano em que o Ministério do Ensino Superior tinha cortado 1066 lugares em Lisboa e Porto.

Apesar do número de vagas perdidas em instituições com menor procura e sediadas em regiões com menos pressão demográfica, há seis incluídas neste lote que contrariam as estatísticas. O Instituto Politécnico da Guarda, por exemplo, conseguiu aumentar em 5% as vagas. Ainda que com resultados menos significativos, os institutos de Bragança (39 vagas), Castelo Branco (18), Portalegre (13), Évora (25) e Trás-os-Montes (12) também assistem a um aumento.

E embora o Instituto Politécnico de Évora só tenha aumentado em cerca de 2%, já no ano passado tinha colocado a concurso 1175 lugares, conseguindo um aumento de 8% face ao período transato.

Mas foi o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) quem mais vagas ganha este ano (62), devido à abertura de um novo curso de Ciência de Dados, com 40 vagas em regime diurno e 30 em pós-laboral. Também a Universidade do Porto, com 55, depois de no ano passado ter perdido 208 vagas.

A par de Santarém, Beja e Açores, as maiores perdas registam-se nas instituições do Porto e da capital. À semelhança do ano letivo 2018/2019, o Politécnico de Lisboa volta a perder vagas, desta vez 55, assim como o do Porto, com um corte de 43. Quer a Universidade de Lisboa (35) quer a Nova de Lisboa (12) também perderam.

Direito e Medicina intocáveis. Aeroespacial sai a ganhar

No despacho referente à fixação de vagas para o ensino superior, a tutela definiu como objetivo o "aumento de vagas em ciclos de estudos com elevado número de candidatos em 1.ª opção no concurso nacional de acesso 2018 com nota superior a 17 valores". Sobretudo as engenharias não ficaram de fora desta meta.

É atualmente considerado o curso menos ao alcance de todos os estudantes portugueses, devido à média de 18,8 valores que tem registado nos últimos anos e que o torna aquele com a mais alta do país. No ano passado, o mestrado integrado em Engenharia Aeroespacial, do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, não tinha ficado de fora dos cortes planeados para as instituições sediadas nos grandes centros urbanos. Mas este ano é uma das surpresas da lista de vagas, com mais 12 disponíveis.

No topo das licenciaturas e mestrados integrados com médias superiores a 17 e que registaram aumento de lugares disponíveis está o de Engenharia Informática e Computação, na Universidade do Porto, com mais 18 novas vagas, aumentando de 117 (em 2018) para as 135 em 2019. Seguido dos cursos de Gestão da Faculdade de Economia do Porto (com mais 17 vagas), Eletrotécnica e Automação, Bioengenharia e Engenharia e Gestão Industrial - as três na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - com mais 18, oito e dez vagas (respetivamente).

Também a área da engenharia informática vê aumentos este ano. Embora menos significativos em algumas universidades, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, por exemplo, o curso registou um ganho de 25 vagas.

Por outro lado, e como já é habitual, Medicina não perde nem ganha um único lugar nas universidades. O mesmo acontece com os cursos de direito.

Dos cursos que continuam a existir este ano, o que registou uma maior queda no número de vagas (22) foi o de Optometria e Ciências da Visão, na Universidade do Minho. Contrariamente, as licenciaturas de Engenharia Informática em Castelo Branco e de Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação no Minho foram as que mais lugares ganharam - 30 cada.

Além dos concursos nacionais, há ainda 708 lugares para cursos para os quais a candidatura é feita através de concursos locais, organizados pelas próprias instituições.

A candidatura à 1ª fase do ensino superior inicia-se já esta quarta-feira, via online, através do site da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). Decorre até ao dia 6 de agosto.

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