Um copo de branco no hotel de Trump

Antigo posto dos correios, o hotel fica a poucas centenas de metros da Casa Branca e foi inaugurado dois meses antes de Trump vencer as presidenciais de 2016. O seu bar é o sítio ideal para um momento de descontração ao final do dia em Washington DC

Não sei se lhe posso chamar "o" meu recanto. Mas é sem dúvida um recanto que me marcou nos últimos tempos. Convidada por Mayra de Lasalette, a jornalista que conheci na rádio Voz da América, nem hesitei um segundo: claro que aceitava ir beber um copo ao final do dia ao Trump International Hotel em Washington DC. Antigo posto dos correios, o edifício no número 1100 da Pensylvannia Avenue não passa despercebido com o seu ar de castelo e a torre imponente. Situado a poucas centenas de metros do - mais famoso - número 1600 da mesma avenida, morada da Casa Branca que hoje serve de residência ao homem que ali decidiu abrir o hotel, este foi inaugurado em setembro de 2016, só dois meses antes de o milionário derrotar Hillary Clinton nas presidenciais.

Edifício de finais do século XIX, o Trump International Hotel pode não ser tão conhecido como a Trump Tower de Nova Iorque, onde o atual presidente americano viveu até se mudar para a Casa Branca, mas partilha com ela o gosto pelo luxo. Brilhos e dourados esperam quem nele entra e opta por se sentar no bar em vez de ocupar uma das mesas disponíveis para hóspedes e outros clientes.

É numa das cadeiras altas de estofos azuis que nos sentamos e pedimos um copo de vinho branco. A ementa é requintada e os preços correspondentes ao luxo que nos rodeia. Pedimos o polvo. A comida é boa, mas a experiência vale por, um ano depois de ter estado nos EUA para a posse de Trump e ter ido beber um Cappuccino à Trump Tower de Nova Iorque, voltar neste mês de janeiro de 2018 com ele presidente e vir ao hotel do homem de quem mais escrevi nos últimos meses.

À nosso volta há homens de fatos e gravata e mulheres de vestido e maquilhagem carregada a beber um copo num fim de um dia de trabalho. E lá ao fundo, na parede, duas televisões. Uma sintonizada na FOX News. A outra na CNN. Prova de que o hotel, se segue a programação da maior apoiante do seu dono, não discrimina uma das suas maiores críticas.

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