Portugueses consomem dez vezes mais carne do que etíopes ou ruandeses

Consumo de carne tem aumentado sobretudo nos países emergentes. Portugal está no lote de países onde um único cidadão pode consumir até cem quilos por ano.

Um etíope consome em média sete quilos de carne por ano. Um ruandês, oito quilos. Um nigeriano, nove. Portugal está integrado num lote de países - a par da quase totalidade dos estados europeus, do Canadá e do Brasil - onde esse consumo chega a ser dez vezes superior, oscilando entre os 50 e os 100 quilos anuais. Os dados constam de uma análise realizada para a BBC pela Oxford Martin, um centro de investigação da Universidade de Oxford.

No topo da lista de consumidores, ultrapassando os 100 quilos anuais por pessoa, estão os Estados Unidos e a Austrália, acompanhados de perto pela Nova Zelândia e pela Argentina. Nestes quatro países, diz a BBC, uma só pessoa pode consumir o equivalente a metade de uma vaca ou 50 galinhas no período de um ano.

Como seria expectável, o consumo de carne está diretamente relacionado com o poder de compra das populações, com o estudo a demonstrar que é sobretudo nas economias que têm registado crescimento mais acelerado ao longo das últimas décadas que este mais tem aumentado. No Brasil, entre 1961 e 2013, o consumo de carne quase quadruplicou, de pouco mais de 25 quilos por pessoa para quase cem quilos. Na China, no mesmo período, passou de valores muito baixos, da ordem dos dois ou três quilos, para cerca de 60 quilos anuais. A Índia, também por questões culturais, é um dos raros casos em que o consumo se manteve constante, em níveis reduzidos, ao longo destas décadas.

Nas economias mais avançadas tem havido alguma desaceleração no consumo desde o início deste milénio. Nos Estados Unidos, apesar de estes ainda continuarem no topo da lista, rondando os 120 quilos anuais por pessoa, houve mesmo uma redução. Mas esse abrandamento não chega para compensar o crescimento registado nas economias emergentes e o próprio crescimento da população mundial.

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