Poluição atmosférica reduz tempo de vida em mais de um ano

Estudo avaliou os dados da poluição do ar em 185 países e fez as contas aos riscos de doenças e de mortalidade. Há regiões em que os custos para as populações são quase dois anos de vida a menos

A contabilidade está feita - e não é animadora. Na avaliação mais abrangente de sempre, que englobou 185 países e pôs em equação os dados da poluição atmosférica nas diferentes regiões do mundo e a esperança de vida das respetivas populações, um grupo internacional de investigadores chegou à conclusão de que as pessoas expostas à poluição atmosférica vêem reduzida a sua esperança de vida em mais de um ano - em algumas regiões aproxima-se dos dois. A nível global, a média é de um ano a menos.

A equipa, que foi liderada por Joshua Apte, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e incluiu também cientistas do Canadá e do Reino Unido, contabilizou a poluição por partículas finas inaláveis com dimensão inferior a 2,5 microns, as PM 2,5.

Estas partículas, que resultam das emissões do trânsito automóvel, das centrais de energia, dos incêndios e da utilização de lareiras para aquecimento, ou de instalações industriais sem equipamentos anti-poluição, introduzem-se os pulmões e contribuem para várias doenças e um maior risco de ataques cardíacos, doenças respiratórias e cardiovasculares, e cancro.

"O facto de a poluição atmosférica ser um importante fator de mortalidade a nível global é bem conhecido", afirma o coordenador do estudo, Joshua Apte. "Mas com os nosso resultados", sublinha, "conseguimos identificar de forma sistemática como ela encurta a vidas das pessoas em diferentes parte do mundo". E o que descobriram é o seu efeito "é enorme, da ordem de um ano em média, a nível global", explica.

Em países como a China ou a Índia, no entanto, esse valor é ainda mais severo. Nesses dois países, onde há gigantescos problemas de poluição atmosférica, "os benefícios para a população idosa da melhoria da qualidade do ar seria enorme", adianta o investigador. E estima: "Na maior parte da Ásia, se a poluição atmosférica fosse removida, as pessoas com 60 anos teriam mais 15% a 20% de probabilidades de chegar aos 85 anos".

Para o investigador esta é uma descoberta importante, que põe em perspetiva - e em confronto - a saúde e a longevidade das pessoas e as políticas ambientais dos países e das regiões. "Conseguimos mostrar que, em média, a população do mundo vive menos um ano do que seria suposto, exclusivamente por causa da poluição no ar que respira, e isso algo que toda a gente pode apreender", conclui.

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