Políticas de Rússia, China e Canadá ameaçam subida de cinco graus no clima. E Portugal não ajuda

Portugal está entre os piores países no estabelecimento de metas para reduzir o aquecimento até ao final de século e a política portuguesa levará a temperatura a subir 4,1 graus Celsius, diz um estudo hoje divulgado.

Se as atuais políticas climáticas de China, Rússia e Canadá prosseguirem, o mundo pode ter um aquecimento de cinco graus Celsius até ao final do século, diz um estudo publicado na Nature Communications que classifica as metas climáticas de diferentes países.

Portugal surge também muito mal posicionado nas estatísticas, registando níveis muito acima da média da União Europeia e as políticas atuais do país podem conduzir até 2100 a um aquecimento de 4,1 graus Celsius, bem acima dos 3,4 graus de Espanha e até dos 4 graus do Estados Unidos da América. Só países de Leste como a Roménia, Hungria ou Letónia têm piores indicadores na UE. Na Europa os países piores posicionados, além da Rússia, são a Sérvia, a Bósnia, a Ucrânia e a Bielorússia. Os dados podem ser observados no site Paris Equity Check.

Os EUA e a Austrália estão apenas um pouco atrás dos três principais poluidores mundiais, com o aumento da temperatura global perigosamente acima dos 4 graus, diz o estudo, enquanto a UE, que normalmente é vista como líder nas políticas climáticas, está a caminho dos 3 graus em média, o que significa mais do dobro dos 1,5 graus que os cientistas dizem ser um nível moderadamente seguro de aquecimento global.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, avalia a relação entre a ambição de cada nação em reduzir as emissões e o aumento de temperatura que resultaria se o mundo seguisse o seu exemplo.

O objetivo do documento é informar os negociadores climáticos que vão iniciar um processo de dois anos de aprofundamento dos compromissos climáticos, que atualmente estão muito aquém da meta de 1,5/2 graus celsius estabelecida na Cimeira de Paris há três anos.

Entre as principais economias, o estudo mostra que a Índia está na liderança, com uma meta que está apenas ligeiramente fora do curso, apontando para dois graus de subida. Os países menos desenvolvidos são geralmente mais ambiciosos, o que é explicado por terem menos fábricas, centrais de energia e carros, e como tal têm menos emissões para controlar.

No lado oposto estão potência industriais como a China e os principais exportadores de energia que não estão a fazer quase nada para limitar as emissões de dióxido de carbono. Estes incluem a Arábia Saudita (petróleo), a Rússia (gás) e o Canadá, que está a atrair grandes quantidades de óleo das areias betuminosas. Os lobbies de combustíveis fósseis nestes países são tão poderosos impondo promessas climáticas dos governos muito fracas, colocando assim o mundo na rota para mais de 5 graus Celsius de aquecimento até ao final do século.

De acordo com o jornal The Guardian, o estudo provavelmente será controverso. Sob o acordo de Paris, não há um consenso sobre o que é uma parcela justa de responsabilidade. Cada nação estabelece as próprias metas de acordo com vários fatores, incluindo vontade política, nível de industrialização, capacidade de pagamento, população e responsabilidade histórica pelas emissões. Quase todos os governos, dizem os autores do estudo, selecionam uma interpretação da equidade que serve a seus próprios interesses e permite que obtenham um ganho em relação a outras nações.

"É interessante ver até que ponto alguns países estão empenhados, mesmo aqueles que são considerados líderes na narrativa de mitigação climática", disse ao Guardian o autor do estudo, Yann Robiou du Pont, da Universidade de Melbourne.

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