Pessoas com deficiência contra fim das palhinhas de plástico

Em São Francisco, na Califórnia, foi aprovada uma lei que proíbe o plástico de utilização única. Associações de pessoas com deficiência dizem que as alternativas não são viáveis

Disney e Starbucks são duas das entidades que aderiram ao movimento mundial contra as palhinhas de plástico, prometendo acabar com a sua utilização nos próximos anos. A campanha ganhou uma forte expressão nos últimos meses, mas tem vindo a ser criticada por algumas organizações, nomeadamente de defesa dos direitos de pessoas com deficiência.

"Se as pessoas não precisam de usar palhinhas, esquecem-se que existem pessoas que precisam", diz Lawrence Carter-Long, diretora de comunicações do Disability Rights Education and Defense Fund, citada pelo The Guardian . Este tipo de situações, lamenta, acontece "repetidamente", porque as pessoas com deficiência não são lembradas.

Apesar das vozes que se opõem, diz a publicação britânica, há proibições do uso deste objeto a avançar a um ritmo sem precedentes. Depois de Washington, Malibu e Carmel, e Vancouver, foi a vez de São Francisco, na Califórnia, aprovar uma lei que proíbe o uso de utensílios de plástico de utilização única, onde estão incluídas as palhinhas.

Katy Tang, autora da legislação em São Francisco, diz que o objetivo não é envergonhar quem usa palhinhas de plástico, mas fazer com que as pessoas reflitam sobre as consequências do uso do plástico. Apesar da proibição, o novo decreto permite que as empresas forneçam este utensílio às pessoas com deficiência ou que necessitem dele por outras razões médicas.

Ao Guardian, a fundadora de um projeto para dar visibilidade às pessoas com deficiência, Alice Wong, de 44 anos, que sofre de uma doença neuromuscular progressiva, lamentou que a maioria das pessoas não perceba a importância das palhinhas. "Para uma pessoa com deficiência, são uma ferramenta de acessibilidade", sublinhou.

A par do movimento contra este objeto, vão surgindo algumas alternativa ao plástico, como as palhinhas de bambu ou de aço inoxidável. Contudo, dizem as associações, as opções recicláveis, por exemplo, não são adequadas para bebidas quentes, além de não poderem ser usadas por quem tem alergias alimentares.

Já as de metal, não são maleáveis, o que pode ser um problema para algumas pessoas com deficiência. Além disso, Wong alerta para o incómodo que será se as pessoas tiverem que andar com as suas próprias palhinhas.

O debate vai, no entanto, muito além da questão das palhinhas de plástico. Para quem defende os direitos das pessoas com deficiência, o que está em causa é o facto de serem frequentemente esquecidas pela sociedade.

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