Papa muda catecismo: pena de morte passa a ser inadmissível

Francisco muda os ensinamentos do catecismo sobre pena de morte. Texto original era de 1992 e admitia pena de morte em casos de "extrema gravidade"

A partir de hoje a igreja católica considera a pena de morte "inadmissível" em todos os casos. Um texto publicado em 1992 no catecismo defendia esta prática em casos de "extrema gravidade".

O Papa Francisco autorizou agora a mudança ao número 2267 do catecismo, passando a posição da igreja católica a ser de que "a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa".

Na nota divulgada pela Santa Sé, na sua página da internet, explica-se que "durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum".

No entanto, a igreja admite agora a pessoa não perde a dignidade "mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos". E que "foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir".

Francisco tinha pedido, em outubro de 2017, para que se alterasse este ensinamento de forma a refletir "a consciência cada vez mais clara na Igreja do respeito devido a toda a vida humana", recorda a agência Ecclesia.

Também João Paulo II já tinha incluído uma observação, em 1997, para dizer que eram casos "muito raros e praticamente inexistentes".

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