Premium "Os pais têm um papel importante no apoio ao tratamento dos filhos"

Ninguém consegue explicar o que sente um pai quando recebe a notícia de um diagnóstico oncológico de um filho. Só quem passa pela situação. Mas os profissionais sabem, sentem, estão atentos, ouvem e explicam tudo o que têm a explicar sobre a doença. A diretora do serviço de pediatria do IPO diz que o apoio às famílias é importante, mas que nem todas as situações são iguais

O que se sente quando se descobre que um filho tem um cancro? A pergunta terá tantas respostas quantos casos diagnosticados todos os anos em crianças e jovens em Portugal. "Só quem recebe uma notícia destas sabe o que sente", dizem-nos. É diferente para todos, mas em quase todos despertam as mesmas perguntas: porquê o meu filho?, porque não eu?, o que fazer? Um misto de tristeza, medo, alguma inconsciência sobre o que aí vem também é comum. Quem verdadeiramente sabe o que todos estes pais sentem são os profissionais que adotam a oncologia pediátrica. Por isso, estão atentos, ouvem e explicam muito...tudo o que têm a explicar.

Até porque ao Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa chegam famílias muito estruturadas, organizadas, mas outras que não são tanto assim. Algumas, pelas separações, divórcios, e outras situações, nem sequer se falam. Mas quando ali chegam, a maioria das vezes, tudo muda. "A criança entra aqui e tudo muda, a maioria dos pais passam a ter uma relação cordata e colaboram no tratamento ", diz-nos Filomena Pereira, médica e diretora do serviço de pediatria do IPO de Lisboa. "Normalmente, é sempre só um dos pais que fica com a criança, mas há alguns que já vão alternando. As mães são as que ficam a maior parte das vezes. Muitas ficam todas as noites, outras alternam com os pais, noite sim, noite não. É uma violência extrema, dizemos-lhes isso, mas não se sentem bem em deixá-los. É como se ficassem sozinhos, mas não estão", argumenta. "Há mais insegurança da parte de quem está em casa porque quem cá está está a ver, sabe o que fazer. Quem está em casa não sabe o que está a acontecer, portanto as pessoas fazem o que querem fazer. Tudo depende da natureza delas e da sua forma de resolver as coisas."

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