"Os Maias" ou "A Ilustre Casa de Ramires". Um deles tem de ser lido no 11.º ano

Programa do Ministério da Educação faz referência explícita a estes dois romances. Versão anterior deixava ao critério dos professores que obra de Eça deveria ser lida

Os alunos que este setembro iniciam o 11.º ano vão ter de ler um de dois romances de Eça de Queiroz na disciplina de Português: Os Maias ou A Ilustre Casa de Ramires, a mesma opção que os alunos têm desde pelo menos 2014. Chegou a ser proposto que fossem professores a escolher "um romance" de Eça, sem referências explicitas a títulos, mas essa opção acabou por cair.

O programa de aprendizagens essenciais para o secundário, homologado na sexta-feira pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, especifica quais as obras que os alunos têm de ler de Eça de Queiroz, ao contrário do documento que esteve em consulta pública em julho em que se propunha apenas "um romance" de Eça de Queiroz.

Quando o documento entrou em consulta pública houve várias criticas ao facto de Os Maias deixarem de fazer parte da leitura obrigatória, mas pelo menos desde 2014 que os professores podiam escolher entre Os Maias ou A Ilustre Casa de Ramires - situação que volta agora a acontecer.

O que os alunos têm de ler

Não é só no caso de Eça de Queiroz que o Ministério da Educação tomou a decisão de especificar quais as obras que os alunos devem ler. Também no caso de Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e Cesário Verde, o documento das aprendizagens indica quais as obras que os estudantes devem estudar este ano letivo, como escreve o Público.

Em lugar de "uma obra narrativa" de Almeida Garrett ou Alexandre Herculano ou Camilo Castelo de Branco, a escolha é Viagens na Minha Terra ou A Abóboda ou Amor de Perdição. De Cesário Verde, Cânticos de Realismo (e leitura integral de O Sentimento dum Ocidental).

Conto volta ao 12.º ano

Durante o período de consulta ao projeto de aprendizagens essenciais, o conto deixava de ser género abordado no 12.º ano, mas também essa proposta, criticada por vários especialistas, entre elas Maria Filomena Mónica, voltou a constar do programa para este ano: Sempre é uma companhia, de Manuel da Fonseca; George, de Maria Judite de Carvalho; Famílias desavindas, de Mário de Carvalho são as opções.

O que são as aprendizagens essenciais

Publicados pela Direção Geral de Educação na sexta-feira, "estes documentos curriculares correspondem a um conjunto comum de conhecimentos a adquirir (...) bem como de capacidades e atitudes a desenvolver obrigatoriamente por todos os alunos em cada componente do currículo ou disciplina, tendo, em regra, por referência o ano de escolaridade ou de formação", lê-se no site.

Estas aprendizagens essenciais e o documento conhecido como Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, são a referência para o ensino e aprendizagem, bem como para a avaliação interna e externa dos alunos.

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