O exoplaneta mais próximo da Terra pode ser "altamente habitável"

Próxima Centauri b terá grandes massas de água na sua superfície e pode permitir a vida humana, diz um novo estudo

Desde que o astrónomo espanhol Guillem Escude descobriu em 2016 o exoplaneta mais similar à Terra que os estudos se têm aperfeiçoado na descoberta da sua superfície e atmosfera. E o Próxima Centauri b pode mesmo ser habitável por humanos devido à grande quantidade de água que parece albergar, conclui um novo estudo, agora divulgado pela revista Astrobiology.

Com o recurso a modelos similares aos usados para estudar as alterações climáticas na Terra, uma equipa de investigadores liderada por Anthony del Genio, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, acaba de descobrir que Proxima b é perfeitamente capaz de manter grandes áreas de água líquida na sua superfície, o que aumenta enormemente as hipóteses de abrigar organismos vivos.

"A principal mensagem das nossas simulações é que há uma hipótese, mais do que decente, que o planeta seja habitável", afirmou Del Genio à revista Live Science.

Este exoplaneta situa-se na órbita da Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, mas muito menor e mais fria. Explicam os cientistas que a sua zona habitável é extremamente próxima da estrela e é muito provável que o Próxima b, bloqueado por marés gravitacionais, exiba sempre a mesma face para a estrela, semelhante à Lua para a Terra.

Estudos anteriores tinham apontado que o hemisfério sempre iluminado do planeta estará submetido a temperaturas muito altas, enquanto o hemisfério escuro será extremamente frio. Isto seriam más notícias para a existência de possíveis reservas de água, que evaporariam numa parte de Próxima b e congelariam na zona oposta. Nesse cenário, a água líquida só poderia manter-se numa área muito limitada do planeta.

Oceano dinâmico

Mas as novas pesquisas efetuadas por esta equipa foram muito mais exaustivas e incluem já um oceano dinâmico e circulante, capaz de transferir o calor de um hemisfério para o outro de forma muito eficaz. Os investigadores também descobriram que os movimentos do oceano e da atmosfera combinam de tal forma que "embora o lado da noite nunca veja a luz da estrela, há uma faixa de água líquida que permanece em redor da zona equatorial".

Del Genio compara a circulação de calor no exoplaneta aos climas costeiros da Terra. A costa leste dos Estados Unidos da América, por exemplo, é mais quente do que deveria, porque a corrente do Golfo transporta água quente dos trópicos. Na Califórnia, ao invés, as correntes oceânicas trazem água fria do norte, de modo que a costa oeste é mais fria do que seria sem essa situação.

Para o Proxima b, explica o diário espanhol ABC, os investigadores executaram até 18 simulações diferentes, tendo em conta os efeitos de continentes gigantescos, diferentes composições atmosféricas e até mesmo mudanças na salinidade do oceano global. E em quase todos os modelos, o Próxima b acabou por ter grandes mares abertos e duráveis em pelo menos parte de sua superfície.

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