NASA regressa à Lua em 2024 e leva a primeira mulher na viagem

Missão pretende estabelecer uma permanência prolongada na Lua e já está a ser preparada. Presidente Trump atribuiu uma verba adicional de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da agência espacial com esse objetivo

A pouco mais de dois meses das celebrações dos 50 anos da chegada à Lua, a NASA anunciou que estará de regresso dentro de cinco anos, com novas missões tripuladas. A primeira viagem já está marcada para 2024 e desta vez vai incluir uma astronauta, que será a primeira mulher a pisar o solo lunar.

Até hoje, apenas 12 pessoas - 12 astronautas americanos, todos homens - estiveram no satélite natural da Terra, nas missões Apollo, que decorreram nas décadas de 1960 e início de 1970.

O último homem a pisar a Lua, durante a missão Apollo 17, em 1972, Eugene "Gene" Cernan, faleceu em 2017, aos 82 anos. Mas tal como aconteceu com a frase de Neil Armstrong, à chegada - "um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade" - também as palavras de despedida de Cernan ficaram para a História: "Partimos, tal como chegámos e, se Deus quiser, voltaremos, em paz e com esperança para toda a humanidade".

O último astronauta na Lua sempre defendeu, aliás, que a NASA devia regressar às missões à Lua, o que está agora, finalmente programado para 2024. Desta vez com a primeira mulher a bordo, e com o objetivo de estabelecer missões mais prolongadas.

O aumento em 1,6 mil milhões de dólares que o presidente Donald Trump acaba de atribuir ao orçamento da agência espacial (no valor de 21 mil milhões de dólares) destina-se à nova missão lunar, que a NASA designou como Artemis - a deusa da Lua na Antiga Grécia, e irmã de Apollo.

Foram justamente as missões Apollo que levaram a NASA à Lua. Há 50 anos, a 20 de julho de 1969 (já era madrugada de dia 21 em Portugal), coube à Apollo 11 fazer essa estreia na Lua,

"Para levar astronautas americanos à Lua em 2024", adianta a NASA, citada na CNN, "os nossos esforços incluem um novo trabalho [nos centros espaciais da agência] para disponibilizar as tecnologias-chave e os equipamentos científicos que vão ser necessários aterrar na superfície lunar".

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