Ministro da Educação diz que as inspeções às notas inflacionadas vão continuar

Tiago Brandão Rodrigues destaca que 80% dos estabelecimentos de ensino onde foram detetadas irregularidades já mudaram as suas práticas.

Depois de ter sido conhecido o documento que denuncia as estratégias usadas pelas escolas para inflacionar notas, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu esta tarde que a atividade inspetiva nas escolas vai continuar.

"Este é um trabalho sistemático que temos de fazer em todo o universo de escolas, para que verdadeiramente as escolas tenham práticas que possam ser comparáveis", afirmou Tiago Brandão Rodrigues, que falou aos jornalistas à margem da VII edição da conferência Capazes de Construir, da associação Corações com Coroa, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Em causa estão as conclusões de um relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), dadas a conhecer pelo Público, que mostram que domínios como a oralidade, o caráter experimental ou o comportamento têm sido usados para puxar as notas internas dos alunos para cima.

Estas inspeções, explicou o ministro da educação, foram feitas porque existia "um desalinhamento entre as notas internas, dos professores, e as notas externas, dos exames".

Com o decorrer das inspeções, Tiago Brandão Rodrigues diz que é esperado que "aumente a transparência e a justiça relativas ao acesso ao ensino superior ou às notas que cada aluno acaba por ter na sua avaliação interna". Este ano, avançou, foram feitas mais visitas às escolas e "existem já mais elementos".

O ministro da Educação destacou, ainda, os resultados das ações realizadas em 12 escolas em 2017: "Nos dois anos consecutivos em que a inspeção esteve nessas escolas, neste segundo ano nota-se já uma mudança de práticas por parte das escolas, que faz com que esse desalinhamento que existia de forma muito marcada nesse primeiro ano diminua em 80% dessas escolas".

Oralidade pesa 20%

Na disciplina de Português, em algumas situações, é atribuído à "oralidade" um peso de 20% na nota final. A Físico-Química, Biologia ou Geologia é "a dimensão prática e experimental" que recebe normalmente 30% do total. Há ainda "o domínio social e afetivo" a desequilibrar as contas, uma vez que incluiu parâmetros subjetivos como o comportamento, a assiduidade e a pontualidade - neste caso chega a valer entre 5% e 30%.

Na impossibilidade de analisar em detalhe o funcionamento de todas as disciplinas e dos respetivos departamentos curriculares, dois inspetores da IGEC passaram dois a três dias por escola, debruçando-se sobre as disciplinas que integram o processo de candidatura ao ensino superior, nomeadamente o acesso a cursos considerados competitivos, ou seja, com um elevado número de candidatos/cursos com médias muito altas de ingresso, como a Medicina, Farmácia, Medicina Veterinária, Medicina Dentária, Direito. Assim, a análise incidiu em cinco disciplinas específicas: História B, Biologia e Geologia, Física e Química A, Português e Matemática A.

No relatório "Avaliação das Aprendizagens dos Alunos do Ensino Secundário", a IGEC sublinha que os processos de avaliação "deverão ser rigorosos e credíveis.

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