Juiz espanhol chama "hija de puta" a vítima de violência doméstica

Num vídeo divulgado pela Cadena SER, María Sanjuan é chamada de "bicho" e "filha da puta" pelo magistrado Francisco Javier Martinéz Derqui. A modelo apresentou queixa por "falta de imparcialidade" e pede ao Ministério que o investigue por alegado crime de prevaricação

Francisco Javier Martínez Derqui é o juiz titular do Julgado de Violência sobre a Mulher número 7 de Madrid. Como tal foi o magistrado encarregue da instrução do divórcio e das duas queixas por violência doméstica apresentadas por María Sanjuan contra o marido, o empresário Josué Reyzábal.

É no vídeo oficial gravado pelo tribunal na sala de visitas que se pode ouvir o juiz a chamar-lhe "bicho" e "hija de puta". A gravação, feita em junho e agora divulgada pela Cadena SER, permite ainda ouvir os risos das pessoas presentes na sala - uma procuradora e uma funcionária da administração judicial, além do juiz Martínez Derqui. Este aparece a dizer: "Vais ver o desgosto que vai ter María Sanjuan quando vir que tem de dar os filhos ao pai".

A conversa decorre depois da análise pelo tribunal do pedido de divórcio da modelo e do pedido de custódia dos dois filhos, de dez e 21 meses. O vídeo continua a gravar porque alguém se esqueceu de desligar o programa.

María Sanjuan vai apresentar uma queixa contra o magistrado junto do Conselho Geral do Poder Judicial por falta de imparcialidade e má-fé em relação a ela. A modelo alerta que, perante este caso, ficou numa situação de indefesa total e absoluta. María pediu o divórcio depois de apresentar duas queixas contra o marido por maus tratos psicológicos e por ameaças.

Os três membros do tribunal põem ainda em causa que María Sanjuan tenha dado entrada num hospital na véspera da audiência com um ataque de pânico. A modelo é acusada na gravação de ter engendrado este cenário, ao que o juiz diz: "sim, que filha da puta."

Confrontado com o vídeo, o juiz Martínez Derquio defende-se dizendo que "a conversa gravada é privada e foi registada de maneira incorreta". Acrescenta que "é uma conversa fora do meu desempenho judicial, que ocorre num espaço fechado".

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