Investigadores mexicanos alegam ter eliminado vírus do HPV em 29 pacientes

Tratamento com fotodinâmica apresenta taxas de eficácia bastante animadoras, diz a investigadora Eva Ramón Gallegos

Um grupo de investigadores do Instituto Politécnico Nacional do México afirma ter eliminado completamente o vírus do papiloma humano (HPV) em 29 mulheres que eram portadoras do vírus ou apresentavam lesões pré-cancerígenas no colo do útero. O anúncio foi feito no site oficial deste instituto no dia 3 de fevereiro, Dia Mundial Contra o Cancro.

Eva Ramón Gallegos, investigadora da Escuela Nacional de Ciências Biológicas, explica que usou um tratamento fotodinâmico num grupo de mulheres de Oaxaca e Veracryz, onde "os resultados foram animadores" e ainda em 29 mulheres na Cidade do México onde se observou a 100% a eliminação do vírus.

A terapia consiste em aplicar no colo do útero um fármaco chamado ácido delta-aminolevulínico que depois de quatro horas se transforma em protopotfirina IX, substância química fluorescente que se acumula nas células danificadas e que permite eliminar, com um raio laser especial, apenas as estruturas impregnadas.

Na primeira parte da investigação, os resultados foram os seguintes: nas mulheres que tinham apenas o HPV sem lesões cancerígenas, a taxa de eliminação do vírus foi de 85%; nas pacientes que tinham HPV com lesões cancerígenas o tratamento teve uma eficácia de 85%; e nas que tinham apenas lesões cancerígenas sem HPV o êxito foi de 42%.

Na Cidade do México usou-se o dobro da concentração de ácido delta-aminolevulínico. Os resultados foram diferentes: o HPV foi eliminado em 100% das mulheres que eram portadoras do vírus sem ter lesões cancerígenas; também foi eliminado em 64,3% das mulheres com HPV e lesões; o tratamento foi ainda bem sucedido em 57,2% das que apresentavamm lesões sem HPV.

As terapias fotodinâmicas são já usadas no tratamento de vários tipos de cancro mas nunca se tinha verificado uma eliminação a 100% do HPV. No entanto, estes dados terão agora de ser validados pela comunidade científica.

"A diferença para outros tratamentos é que limina unicamente as células danificadas e não incide sobre estruturas sãs", sublinhou Eva Ramón Gallegos que adiantou ainda que nas suas investigações também se verificaram "efeitos positivos" na eliminação de agentes bacterianos em mulheres com Chlamydia trachomatis (que produz a clamídia) e Candida albicans (que causa a candidíase vaginal).

Em Portugal, a vacina contra o HPV, com a vacina incluída no Programa Nacional de Vacinação, arrancou em outubro de 2008. Segundo os dados oficiais, no final de 2018, cerca 750 mil jovens mulheres estão totalmente vacinadas contra o HPV, o que representa 86% da população alvo para a vacina. Em novembro passado, o Parlamento aprovou a integração da vacina do HPV para rapazes no Plano Nacional de Vacinação.

Cerca de 90% dos cancros do colo do útero podem ser prevenidos pela vacinação, mas a doença é ainda uma das principais causas de morte entre jovens mulheres, sendo o segundo tipo de cancro mais comum em mulheres entre os 15 e os 44 anos.

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