Hillary liga a Spielberg e vai ser produtora em adaptação da história das sufragistas

Obra sobre a luta da mulher americana para conquistar o direito ao voto vai ser adaptada para televisão pela Amblin com produção da antiga primeira dama dos EUA

O muito elogiado livro de Elaine Weiss The Woman's Hour: The Great Fight to Win the Vote, que traça a história da luta das mulheres americanas no início do século XX para conquistar o direito ao voto, vai ser adaptado para televisão pela produtora de Steven Spielberg e contará com uma produtora executiva estreante: a antiga primeira dama e candidata à Casa Branca Hillary Clinton.

A entrada da política no mundo da produção televisiva foi justificado pela própria com a importância do tema das sufragistas.

"A urna de voto é o coração da democracia e o livro inesquecível de Elaine Weiss conta a história das líderes femininas que - perante enorme oposição económica, racial e política, - lutaram e conquistaram o direito da mulher americana para votar. Desenvolvendo-se durante seis semanas no verão de 1920, o The Woman's Hour é simultaneamente um drama que se devora e uma inspiração para todos, jovens ou velhos, homens ou mulheres, nestes períodos conturbados. Muita coisa poderia ter corrido mal, mas estas mulheres americanas não aceitaram o 'não' como resposta: o seu triunfo é um legado que devemos guardar e emular", afirmou a antiga primeira dama, citada pelo Hollywood Reporter.

A produção - que de acordo com a mesma fonte tanto poderá ser um telefilme como uma minissérie - contará ainda com a estreita colaboração da autora do livro: "Estou excitada por ir trabalhar com Elaine [Weiss], Steven [Spielberg] e todos na Amblin Television para trazer este importante projeto a audiências em todo o mundo", disse ainda Clinton.

A relação de Elaine Weiss com Hillary Clinton nasceu logo após a publicação do livro, em março. A autora apercebeu-se dos paralelos entre a história que estava a escrever e a batalha política da candidata presidencial contra Donald Trump e fez questão de lhe fazer chegar uma cópia da obra. Conseguiu-o através do dono de uma livraria, conta o Hollywood Reporter, segundo o qual Clinton adorou o livro e rapidamente iniciou contactos para que este fosse adaptado a televisão

Inclusivamente, telefonou a Steven Spielberg, que é seu amigo, o que culminou na compra dos diretos para a adaptação ao pequeno ecrã pela Amblin Television.

No seu papel de produtora executiva, Hillary Clinton deverá ainda envolver-se na escolha do argumentista, do realizador e no casting da produção.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.